Regresso a La Felguera, ou 50 anos depois: 2 - a Estátua de D.Pedro Duro
A estátua de D.Pedro Duro, mantida no Parque de La Felguera, concelho de Langreo, Astúrias(ao lusco-fusco)
No parque de La Felguera, frente à igreja [1], continua a estátua do "patrão" da Duro-Felguera, D. Pedro Duro [2], que sobreviveu à desindustrialização da terra onde ainda hoje é recordado como bem o demonstra o cartaz que, quando da recente visita, envolvia o fuste do monumento e que se pode ler a seguir. Por esta manifestação pública - que traduz um manifesto desagrado pelo processo de desindustrialização de que La Felguera foi alvo - qualquer alteração da localização central do monumento, junto ao Parque, permanece, como há 50 anos, fora de questão! [3].
De todo lo que fué Duro Felguera en Langreo solamente quedará esta estátua.
De tudo o que foi a Duro Felguera, em Langreo, somente ficará esta estátua.


De todo lo que fué Duro Felguera en Langreo solamente quedará esta estátua.De tudo o que foi a Duro Felguera, em Langreo, somente ficará esta estátua.
Representação que é da "figura mítica do patrão", consagrado vulto do paternalismo industrial asturiano, o monumento de La Felguera é encimado pela estátua em bronze do Fundador, com coluna e pedestal construídos em calcáro marmóreo e simulando obra metálica, seja de fundição, seja de caldeiraria, seja finalmente de mecânica - numa aproximação temática que bem se enquadra na actividade do homenageado e da Empresa que desenvolveu e dirigiu.

Logo no topo se denota essa representação temática (ver figura supra): a estátua assenta, indirectamente, num capitel com os motivos decorativos característicos de obras congéneres em ferro fundido, que termina com duas golas estreitas, simuladamente rebitadas ao fuste, como dispositivos de união/fixação que procuram representar.
O fuste é, todo ele, uma pretensa realização em caldeiraria, com os rebites e juntas perfeitamente evidentes:

Finalmente o pedestal representa quatro pernos, retidos, em cima, por porcas sextavadas e que entregam, em baixo, em outras tantas rodas dentadas - a que se seguem trê degraus e uma base poligonal alargada, dando altura (e importância) a toda a obra.

O fuste é, todo ele, uma pretensa realização em caldeiraria, com os rebites e juntas perfeitamente evidentes:

Finalmente o pedestal representa quatro pernos, retidos, em cima, por porcas sextavadas e que entregam, em baixo, em outras tantas rodas dentadas - a que se seguem trê degraus e uma base poligonal alargada, dando altura (e importância) a toda a obra.


Na frente do monumento, uma placa comporta uma mensagem típica da relação paternalística:

Los obreros de la Fabrica de La Felguera a su Fundador D.Pedro Duro
Os operários da Fábrica de La Felguera ao seu Fundador D. Pedro Duro
São muitas as aproximações que se encontram entre as histórias industriais de La Felguera e do Barreiro, no que toca, respectivamente, à Duro-Felguera e à CUF. Como se esses aspectos históricos não chegassem, é interessante notar que ambas as sociedades escolheram a roda dentada como motivo principal do seu logotipo - como se pode aperceber do cartaz afixado na estátua (segunda imagem a partir de cima) e da seguinte amostra de metal, presente no Museu da Siderurgia (MUSI), de La Felguera:

Com uma diferença substancial, que também não deixa de ser interessante: enquanto a CUF, no Barreiro, produzia peletes que não consumia (nem eram consumidos), a Duro-Felguera, na sua vertente siderúrgica, consumia peletes que não produzia:
Peletes hematíticos, entre as matérias-primas consumidas pela indústria siderúrgica em La Felguera (MUSI)
Peletes hematíticos, entre as matérias-primas consumidas pela indústria siderúrgica em La Felguera (MUSI)- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
[1] Onde ainda se mantém, à esquerda quem entra no templo, o altar da Senhora de Fátima que determinava, cinquenta anos atrás, que um engenheiro da SIN, crente fervoroso, me interpelasse, em cada domingo, com um amistoso "Visitaste hoy tu Compatriota?"
[2] Para uma nótula biográfica sobre D.Pedro Duro, vd. a postagem de 15 de Julho de 2007, neste blogue.
[3] Estava eu a fotografar o movimento, quase na hora "del paseo", excitando a curiosidade dos felguerinos, quando um destes se me dirigiu, com a franqueza típica da região e me perguntou: "Está V. a fotografar o monumento ou o cartaz?". E eu, com também a franqueza lusitana, respondi-lhe de imediato com um clarificador "Los dos!"... isto é "Ambos!".
[2] Para uma nótula biográfica sobre D.Pedro Duro, vd. a postagem de 15 de Julho de 2007, neste blogue.
[3] Estava eu a fotografar o movimento, quase na hora "del paseo", excitando a curiosidade dos felguerinos, quando um destes se me dirigiu, com a franqueza típica da região e me perguntou: "Está V. a fotografar o monumento ou o cartaz?". E eu, com também a franqueza lusitana, respondi-lhe de imediato com um clarificador "Los dos!"... isto é "Ambos!".

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home