sábado, 24 de setembro de 2016

Coroemo-nos de rosas, antes que (estas) murchem...

... ou antes que nós murchemos.

Conheci esta frase latina apontada a lápis, com uma excelente caligrafia, numa página de um livro antigo, na Biblioteca Municipal do Porto e achei-a tão curiosa que logo a anotei. Terá possivelmente sido o Professor Cruz Malpique que m'a traduziu e explicou. Lembro-me que a discuti, no Liceu (o LAH, claro)  com o Manel, que ainda só era "o Manel" mas que já a tinha conhecido por outra via [1].  Naquele tempo, ou algo antes disso, o rigor vigente  nos restos do Império tinha proibido uma música carnavalesca importada do Brasil e que, numa forma muito mais popular, tinha o refrão saturante e incessantemente repetido pela rádio (até a zelosa censura o proibir, claro)  de "o que se leva desta vida é o que se come, o que se bebe, o que se brinca, ai ai". Encanta-me repetir aqui o que então foi proibido e especial e arrogantemente  fazê-lo quando, no mundo em que vivemos, tudo se nos volta a ser servido com o apagamento da alegria sob um manto negro de terror. Abrimos o jornal, ou ligamos a TV,  e logo o terror aparece. Estamos sempre no risco de qualquer resgate, na iminência de qualquer desgraça, na ameaça permanente de qualquer insegurança, no comportamento insólito dos que deveriam dar algum exemplo (e dão precisamente o contrário), na expetativa do que poderia apresentar alguma esperança (e logo qualquer esperança é criticada).  Ironicamente, foi a Nona,  a Nona  que  enroupou  em música a ode   "Sobre a  Alegria" que Schiller nos deixou, o escolhido hino para uma Europa que tantas vezes já se dilacerou e que parece querer viver no frenesi triste e de mal agouro de 1913 -   e mais não digo. Coroemo-nos de rosas... e há logo quem vá à pressa buscar ao Livro (ao "nosso", claro, e nos leve ao Sab 2,8) o versículo que, por isso, imediatamente nos desqualifica e  nos condena [3] - talqualmente como, nos anos 40 ou 50,  se fez proibir o samba em modelo pre-pimba ou como a criança infeliz que traduzia a infelicidade que testemunhava por um "aqui ninguém se ri". Austeridade pois, mas só de fachada. Porque, invocando a austeridade, o que efetivamente se procura é a desregulação discriminatória, exatamente o contrário das virtudes que se pretendem exaltar. Mata-se a alegria, exportam-se os jovens (que, tanto aqui como na Estónia, se fartam de consumir tranquilizantes), (des)consideram-se os velhos... mas em todos esses capítulos alguém  procurará prudentemente colocar o seletivo "alguns": "alguma" alegria (outros que a possam ter), "alguns" jovens(outros que possam empanturrar-se na zona de conforto que ainda fique), "alguns" velhos (que tenham tido a prudência de traduzir a tempo a expressão "off shore"). Aos outros, o monstro informático que os trate como números, que lhes invada a privacidade, que os sature com redes ditas sociais (sociais o tanas), que os amarre à uma imposição sucessivamente crescente, que lhes imponha um PIB e lhes saque por todas as formas o que possam ter, que lhes mostre o descrédito das instituições que poderiam esperar e desejar ter como firmes - e que, ainda por cima, sempre façam isso com um dedo apontado. Queixemo-nos depois, nós que a fizemos,  de que a geração que deixamos é pior que a "nossa, pois que o tempo corre e com ele se perde o momento  de dar uma biqueirada em muita coisa que nos rodeia, ao nível do que podemos e enquanto podemos - antes que nós próprios murchemos, como as rosas.

Daí o ter encontrado na "net" (essa excelente via de conhecimento  que tão mal usada também é) o poema que um  Thomas Jordan (1612?–1685) escreveu e  que Arthur Quiller-Couch, transcreveu  no "The Oxford Book of English Verse: 1250–1900" editado em 1919 [2]:
  

"Coronemus nos Rosis antequam marcescant...
  

LET us drink and be merry, dance, joke, and rejoice,
With claret and sherry, theorbo and voice!
The changeable world to our joy is unjust,
      All treasure 's uncertain,
      Then down with your dust!
In frolics dispose your pounds, shillings, and pence,
For we shall be nothing a hundred years hence.
.
We'll sport and be free with Moll, Betty, and Dolly,
Have oysters and lobsters to cure melancholy:
Fish-dinners will make a man spring like a flea,
      Dame Venus, love's lady,
      Was born of the sea;
With her and with Bacchus we'll tickle the sense,
For we shall be past it a hundred years hence.
.
Your most beautiful bride who with garlands is crown'd
And kills with each glance as she treads on the ground,
Whose lightness and brightness doth shine in such splendour
      That none but the stars
      Are thought fit to attend her,
Though now she be pleasant and sweet to the sense,
Will be damnable mouldy a hundred years hence.
.
Then why should we turmoil in cares and in fears,
Turn all our tranquill'ty to sighs and to tears?
Let 's eat, drink, and play till the worms do corrupt us,
      'Tis certain, Post mortem
      Nulla voluptas.
For health, wealth and beauty, wit, learning and sense,
Must all come to nothing a hundred years hence."

Boa noite e bons sonhos, no  que a valeriana (com "v") ainda ajuda - já que com "V" seguramente melhor seria.

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[1] E que até, ele próprio, acabou por escrever um poema nela inspirado, publicado no jornal do Liceu,  quiçá um dos primeiros poemas do Manuel Alegre a ser  divulgado em forma impressa. Sobre o assunto ( o poema, o Professor Cruz Malpique e o "Prelúdio", cuja 1ª Série ainda acabará um dia por aparecer digitalizada) ver:
alem do já referido "blogue da malta de 1954" que no dia 4 se vai novamente reunir no Porto e que nesse veículo deda memória conta muito mais coisas.

 [2] Cortesia a www.bartleby.com/101/325.html (mas também www.bartleby.com/40/246.html, de uma outra antologia, de 1909, e tendo o primeiro verso como título). Aliás se procurarem Thomas Jordan com um motor de busca, sair-vos-á, antes do poeta do sec.XVII e com mais desenvolvimento, um hodierno, homónimo e inesperado economista e administrador bancário suíço. Sinal dos tempos!

[3] As reservas ao coroar com rosas vão muito mais longe do que eu pensava. Se se fizer uma procura em motor de busca, quer pela frase, quer pela imagem, encontrar-se-á o património religioso a dominar. a amarfanhar mesmo, a representação ou expressão profana. Uma razão emergente poderá provir da frase, assaz repetida, de que "uma coroa de rosas também é uma coroa de espinhos" - trazendo imediatamente o peso negativo e condenatório da Paixão de Cristo. Mas - passando de lado a questão botânica e secundária  da feitura da "coroa de espinhos" (i.e. se seria uma coroa de silvas, ou de rosas ou de eufórbias) - o versículo citado, do Livro da Sabedoria, possivelmente coevo da erupção de Santorin e da destruição da civilização minoica, antecede - e por  muito tempo mesmo - o drama do Calvário. Verdade, verdadinha, é que a frase latina pareceu inspirar a poesia e até a música a esta aliada (Tchaikovski fecit)  mas não entusiasmou, ao que eu saiba,  a pintura clássica.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Do Liceu de Alexandre Herculano, no Porto, à Trisavó de todas as Guerras, no Mundo


No dia 29 de Maio p.p. coloquei neste blog uma breve notícia sobre a questão legislada (em 1911) entre  ensino público e privado em Portugal e agora reaberta, em amarelo, pelos homólogos dos que então já aberto a tinham. Daí a pergunta no título da postagem, essa. Respondeu-me um respeitável Leitor, a quem eu devo sempre oportunos comentários.  Repliquei à resposta, agradecendo, e levantando mais dúvidas e preocupações sobre o estado atual do LAH, do Porto, que na resposta tinha vindo à conversa - aquele que hoje se chama Escola e se chamava Liceu, ao fundo da Avenida Camilo, e que foi e será sempre, para mim e para muitos de nós, o “nosso Liceu”. Por inépcia minha esse agradecimento e réplica, como verifiquei agora, ficou “no espaço” e, por isso, decidi pedir desculpa ao meu sempre considerado comentador-leitor. Mas alonguei-me na resposta e meti coisas que, sendo adicionais, ouso presumir como podendo ter alguma utilidade ou interesse e – por isso – acrescem, quais epífitas,  à essência original da resposta (que era e é uma apreensão manifesta pelo LAH) e ao agradecimento e o mais que adiante se verá. Decidi depois transportar toda essa resposta para o texto principal tal como o poria no blogue  que existe, se não tivesse entretanto perdido os respetivos códigos e palavras-chaves pelas esquinetas de uma memória cada vez mais qsf [1]. Transcrevo o que foi possível refazer e o que acrescentei: 

“Muito agradeço pelo aviso sobre o LAH [2] E volto à minha pergunta, já deixada noutro local:  o que será feito das excelentes coleções de mineralogia e geologia, da sala de Ciências Naturais, da vidraria e dos aparelhos e modelos dos laboratórios de Química e de Física e até da Sala de Geografia, que muito teria para contar em termos de modificação de fronteiras e de espíritos neste Mundo ainda em crise de mudança de milénio. Mesmo que estejam inventariadas e bem arrecadadas – assim o espero –, estão de qualquer forma perdidas quanto à utilidade pública do seu valor e divulgação, só por si merecedores de uma recolha e apresentação museológica. Entretanto, numa das minhas divagações, fui encontrar a designação adrede de uma comissão para superintender e acompanhar a construção do novo edifício para o Liceu de Alexandre Herculano, no Porto (DG - 1914 - 2ª Série - nº 206, de 3 de Setembro, pag. 3104), quando, noutras sedes, já se começava a descrer na ideia ingénua de que a 1ª Guerra pudesse acabar pelo Natal!). As expropriações dos terrenos e a designação de quem as outorgou, por parte do Governo, estão também acessíveis por ali e levantam uma outra curiosa questão [3]. Velhinho Alexandre... durou mais que impérios sortidos e de diversas cores, com ou sem dourados, que então ainda existiam... e de outros que, pelo meio, foram e vieram. Numa deriva que a coincidência cronológica e os centenários que vivemos vieram sugerir, direi apenas, fazendo uma  agulha, quanto  entretanto se foi gradualmente diluindo, em termos de candura, a imagem que tinha de um  Presidente Wilson idealista e sonhador (aliás o primeiro presidente sulista dos EUA, após a Guerra da Secessão). E o mesmo direi para outros ícones do mesmo conflito.  Obviamente que há muitos livros publicados e a publicar sobre a WW1, mas, dos que li, há um, pequenino em tamanho, que considero essencial e que me parece suprir, para uma abordagem imediata,  muitos e bem mais avantajados volumes: a obra de NORMAN STONE "Primeira Guerra Mundial - uma História Concisa", entre nós editada pela D.Quixote. Está lá (quase) tudo o que é importante! E, embora a tradução seja muito aceitável, quem se quiser deleitar com o compreensível e leve  Inglês do Autor, poderá recorrer à  versão original  editada pela Penguin ("A Short WW1 History"). Vem ainda a propósito dizer que, quanto à nossa intervenção nesse conflito global -- que, extrapolando o dito do Saddan, se poderia designar por "Trisavó de todas as Guerras” --  encontrei ultimamente uma tese norte americana que aborda um tema ainda hoje e aqui polémico e aborda-o positivamente, numa visão que procura  isentar-se  de polarizações norte-europeias (o que é raro quando de nós falam - seja de WW1, seja do raio que os parta). Pois aí vão as referências já que todo o texto se pode procurar, encontrar e descarregar da "net":  PYLE, James (2012) "The Portuguese Expeditionary Corps in World War I . From Inception to Combat Destruction 1916-1918", University of North Texas. Boas leituras…[4]

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[1] O blog existe em www.lah-1954. blogspot.com e está saudável, graças ao esforço e perseverança do Colega que o mantém e  subscreve e que generosamente permite recuperar a memória desse quanto se foi. 
[2] Tratava-se tanto da oportuna intervenção do Dr. José Pacheco Pereira, ex aluno do LAH, publicada no Jornal "Público" de 28 de Maio p.p. e reportada no blogue citado em [1], supra como da documentada reportagem de Patrícia Leitão em  https://jpn.up.pt/2016/05/24/alexandre-herculano-liceu-historico-quer-reerguer-da-degradacao/
[3] Tendo as expropriações por utilidade pública sido feitas com um objetivo preciso e de propósito bem definido, como consta do DG, será possível que permitam reversões caso os terrenos expropriados venham a ser dirigidos para outras finalidades, quiçá distintas dum objetivo de ensino  e / ou especulativas, como já zuniu por aí? E, muito em especial, se se deixar arruinar o edificado para, pela ruína deste,  eventualmente se invoque como justificável um  tal desvio de propósito?
[4] Convida-se o leitor a mais uma leitura edificante e "caçável na net", com a caraterística peculiar de ter sido escrita antes da intervenção americana na WW1 por um sociólogo e economista  pouco conhecido entre nós e que teve um percurso académico muito singular, Thorstein VEBLEN. O texto chama-se "Imperial Germany and the Industrial Revolution". E quem quiser melhor conhecer Veblen, num âmbito algo diferenciado daquele,  poderá também pescar na "net" uma sua obra-mestra, intitulada  "Theory of the Leisure Class".

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

As Treze Rosas Vermelhas de Madrid

Relembrando as treze jovens fuziladas na madrugada de 5 de Agosto de 1939 em Madrid, para que -como pediram e merecem - nunca os seus nomes fiquem esquecidos:

"Sus nombres eran Carmen Barrero Aguado, Martina Barroso García, Blanca Brissac Vázquez, Pilar Bueno Ibáñez, Julia Conesa Conesa, Adelina García Casillas, Elena Gil Olaya, Virtudes González García, Ana López Gallego, Joaquina López Laffite, Dionisia Manzanero Salas, Victoria Muñoz García y Luisa Rodríguez de la Fuente."

agradecendo a "Muy Historia / Muy Interesante" a transcrição aqui feita. Os nomes estão em ordem alfabética pelo primeiro patronímico, o paterno, como é uso em Espanha.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Uma história portuguesa... que não foi unica.

Da famosa "Siderurgia de Alcochete"...
... como narrada no DG 2ª Série, nº 83 de  9 de Abril de 1916, páginas 1272 e 1273:

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sexta-feira, 24 de junho de 2016

(G)Old Man Sex?

Dizia Newton:

"A matéria atrai a matéria na razão directa das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias."

Voilá!

E, tendo Montaigne dito que "les bons esprits se rencontrent", seria também de admitir que "et les mauvais aussi".

A tempo: Os comentários que aparecem nos espaços para isso abertos em portais de notícias ou nas (mal)ditas redes sociais a elas ligadas cumprem também uma regra universal: esgotadas rápida e parcamente as tentativas de exposição racional de razões (por vezes essas tentativas nem existem) entra-se na globalização da peixeirada e no insulto chocarreiro ao interlocutor desconhecido, como se isso lhe fizesse demonstrar razão (talvez auto-faça, mas não passa daí!). Essas estranhas vias são, pois, uma expressão clara do "discurso escondido" no rigoroso sentido técnico. E, com isso, trazem algo mais: perda de tempo, ganho de entropia, percepção de incapacidade e engano de endereço. Porque a luta não é ali!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

BREXIto

DE qualquer forma uma colossal e histórica "barraca", para qualquer lado que a votação desse. E não se pode deixar de dizer que os EUroburocratas entrincheirados em Bruxelas  ou ali à volta, incluindo os (sempre) autoproclamados uber alles, não fizeram o possível e o impossível para chegar a isto. 

Esperemos agora pelas eleições do apartamento ao lado, aqui no piso.

Acrescentarei qualquer coisa, quando descobrir, neste blogue, onde a deixei. Pronto, já encontrei e já descobri que tenho alguns "poderes" e que, de ainda longe, topei o cheirete que se estava a gerar: vejam-se as "bicadas" de 16DEC2010 e 05JAN2011, relembradas em 16JUL2015, em que se fala de EFTA, de burro do presépio e até de Sócrates. Quanto ao resto, de Bruxelas que fiquem os restaurantes do Sablon.

Hasta domingo, en Madrid!

E a fechar, recebida a notícia da natural e consequente demissão do Cameron, :mais uma alfinetada : repararam já como o Boris e o Trump até têm semelhanças?

domingo, 29 de maio de 2016

Pro-memoria secular ou ainda andam por aí Talassas ?

Em 5de Dezembro de 1916 o Diário do Governo, 1ª Série, nº245, publicava o Decreto nº 2:887que inseria todas as disposições da lei então em vigor sobre instrução primária  e normal. O diploma foi republicado no DG, 1º série,  nº 2 de 3 de Janeiro de 1917, pags. 5 a 22, iniciando uma série de diplomas que integravam o que se chamou a "reforma do ensino de 1917". Desse diploma destaca-se o artigo 52º que seguidamente se reproduz e que já vinha dos primeiros meses da então jovem República:


Passaram mais de 100 anos... e continuamos a querer esquecer o razoável e a pensar: "O contribuinte que pague desde que o contribuinte não seja eu..." ou, numa de liberal declarado: "menos Estado e melhor Estado, mas que o subsídiozinho não falte!"

sábado, 21 de maio de 2016

Uma das vozes que do Brasil me chegam

Chegaram-me muitas vozes do Brasil. Acompanhei-as com a preocupação de quem vive, de longe, o padecimento de um Amigo próximo, sem nada poder fazer a mais de procurar compreender o por que sofre e transmitir-lhe um eco solidário. De entre todas essas vozes, retenho e partilho aqui, com a devida vénia ao seu Autor, o sentido  libelo do Padre  José Mairton, de S. José do Piauí, inspirado em Êxodo 3:7 e datado de 18 de Abril próximo passado,

"Eu vi um entardecer de um domingo.
Virar o entardecer de uma nação.
Eu vi um anoitecer de um plenário ser o anoitecer de um circo,
Aonde até o palhaço fez de meu voto uma piada.
E o pior, meu caro palhaço, é que pior vai ficar!!!
Eu vi homens virarem covardes.
E, para espanto de muitos, eu também vi:
Covardes virarem heróis.
Eu vi homens grandes se apequenarem.
Mas, também vi os pequenos virarem gigantes.
Eu vi o quanto não sabemos escolher nossos representantes.
Eu vi que até eu tenho muito a aprender com tudo isso.
Mas, quem aprendeu?
Eu vi o fruto da manipulação de uma poderosa mídia.
Eu vi velhas ideias camufladas em sorrisos maquiavélicos.
O medo de um comunismo fantasmagórico gerar novos ditadores
acima da democracia de um povo.
Eu vi o quanto ainda não sabemos de nada.
Vi o quanto uma nação pode ser iludida.
Eu vi um tribunal de corruptos julgando inocentes.
Eu vi um bandido sentado no seu trono. 
E, com um sorriso irônico, comandar a anulação de uma eleição.
Eu vi o quanto vale os nossos políticos.
Vende-se um deputado por negociatas e interesses. Você quer comprar um?
Eu vi o nome de Deus ser usado para o mal.
Mas um dia Ele te dirá:
Em nome de quem você fez aquilo contra o meu povo?
Eu vi o nome família pronunciado por "santos de pau oco".
Eu vi sepulcros caiados condenando uma história.
Mas, a história há de nos julgar!
Eu vi num domingo aqueles que eu admirava virarem demônios.
E vi aqueles que eu endemonizava virarem mártires.
Eu vi uma nação gigante sucumbir nas mãos de anões.
Até quando continuaremos dormindo em berço esplêndido?
Eu vi a palavra esperança ser roubada do coração de um povo.
Eu vi o sonho dos pobres sucumbirem no SIM dos poderosos.
Eu vi o quanto essa nação está longe da ORDEM e do PROGRESSO.
Ordem de manipular a constituição para interesses
pessoais e partidários.
Progresso somente para empresas e poderosos.
E regresso para os pobres e sofredores.
Eu vi o quanto este Brasil não é sério.
O quanto nossa constituição é uma fraude.
O quanto somos enganados.
Somente aqui ladrões julgam inocentes.
Somente aqui bandido é juiz de uma nação.
Somente aqui somos enganados e ainda nos damos por satisfeitos.
Realmente, Senhor Presidente dos golpistas e salafrários deste país:
                      Que Deus tenha misericórdia dessa nação!

                      Porque vocês não tiveram nenhuma…”

Pe. José Mairton
- São José do Piauí-PI, 18 de abril de 2016.

* texto inspirado no livro do Êxodo, 
onde relata que  Deus afirma: 
"Eu Vi, Ouvi, Conheço... 
a miséria do meu Povo... 
por isso, Desci para Libertar..."

"

domingo, 1 de maio de 2016

Onde a "Internacional" do nº 5 do artº 4º dos Estatutos do Partido Socialista ?


Diz a disposição em título:e que faz parte dos Estatutos do PS na redação aprovada no XX Congresso Nacional e pela Comissão Nacional do Partido, a 31 de Janeiro de 2015 (aliás reiterando uma aprovação bem anterior):

"5, O hino do PS é a "Internacional" com letra em português, na versão aptovada pelo Partido."

É de perguntar:

Onde está disponível sob forma gravada, adquirível (i.e. comprável e "tocável")  a versão completa (letra-música) da "Internacional" aprovada pelo Partido Socialista, nos termos  do referido artigo do seu Estatuto?

Onde e quando foi essa versão mais recentemente  tocada ou cantada  em acto oficial do PS?.

 - - - « « « «» » » » - - -

Sobre a "Internacional": o sucinto artigo que lhe é dedicado  na Wikipedia pode dar uma primeira informação (e audição) sobre a origem, divulgação, versões,  utilizações, proibições, perseguições e apossamentos deste hino internacionalista e socialista revolucionário com palavras do operário anarquista francês Eugène Pottier, que assumiu papel importante na Comuna de Paris (1871) e que, por isso, teve de se exilar após o esmagamento desse movimento revolucionário que foi subsequente à derrota da França na guerra franco-prussiana de 1870-1871 e que, com esta, marcou o fim do Império de Napoleão III, o início da 3º República Francesa e a afirmação política do imperialismo alemão de hegemonia prussiana. O poema terá sido escrito no exílio, em 1879, para ser adaptado ao ritmo e música da "Marselhesa [1]", mas acabou por inspirar e receber em 1888 a excelente composição de um outro operário anarquista, de nome  Pierre Degeyter que, sendo belga, estava então domiciliado na cidade de Lille, a "capital industrial e mineira"  do Norte da França. A primeira tradução em Português, pelo anarco-sindicalista Neno Vasco, data de 1909.

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[1] Quem quiser ouvir a"Marselhesa" numa representação do seu uso como hino revolucionário russo visite na série "The Fall of the Eagles" (disponível no "You Tube" e a todos os títulos recomendável) o episódio do comboio selado e, neste, o momento da chegada de Lenin.

Imagem: edição original com música /letra em Francês, cortesia a www.marxists.com



Artigo 4º
(Da Sede,  Sigla, Símbolo, Bandeira e Hino)
1. O Partido Socialista tem sede nacional em Lisboa.
2. O Partido Socialista adota a sigla “PS”.
3. O símbolo do PS consiste em dois círculos concêntricos, tendo o círculo interior, sobre fundo vermelho, ao centro, um punho esquerdo fechado, em amarelo-ouro, e o círculo exterior, escritas em maiúsculas vermelhas sobre amarelo-ouro,as palavras PARTIDO SOCIALISTA.
4. A bandeira do PS é formada por um retângulo vermelho, tendo no canto superior esquerdo o símbolo do Partido.
5. O hino do PS é a “Internacional”, com letra em português, na versão aprovada pelo Partido.
- See more at: http://www.ps.pt/partido/estatutos-do-partido-socialista.html?layout=artigoimagemlivre#sthash.MKjZMqHr.dpuf
Artigo 4º
(Da Sede,  Sigla, Símbolo, Bandeira e Hino)
1. O Partido Socialista tem sede nacional em Lisboa.
2. O Partido Socialista adota a sigla “PS”.
3. O símbolo do PS consiste em dois círculos concêntricos, tendo o círculo interior, sobre fundo vermelho, ao centro, um punho esquerdo fechado, em amarelo-ouro, e o círculo exterior, escritas em maiúsculas vermelhas sobre amarelo-ouro,as palavras PARTIDO SOCIALISTA.
4. A bandeira do PS é formada por um retângulo vermelho, tendo no canto superior esquerdo o símbolo do Partido.
5. O hino do PS é a “Internacional”, com letra em português, na versão aprovada pelo Partido.
- See more at: http://www.ps.pt/partido/estatutos-do-partido-socialista.html?layout=artigoimagemlivre#sthash.8Bzfx1WD.dpuf

segunda-feira, 25 de abril de 2016

= ou > 25 A Lembrando Cipriano Dourado (1921-1981) - 2



domingo, 24 de abril de 2016

< 25 A Lembrando Cipriano Dourado (1921-1981) - 1 (com uma capa da "Vértice" nos anos 60)


segunda-feira, 18 de abril de 2016

Antena 2, RTP 2 ou um poemeto a ambas.?...


Prova da lusa bizarria
Está na permanente dicotomia:
Há quem se passe com a "Dois"
E há quem não passe sem a "Dois"...
POIS!!!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Bernardim Barreiro .. ou Ribeiro, na primeira frase

1. "Menina e moça me levaram de casa de minha mãe e eu, porque levada era para longes terras, fui lendo "O Capital" pelo caminho".

2. "Há muitas maneiras de contar a História, mas só há uma verdadeira - que é a NOSSA" [Não se admire o Leitor se esta citação surgir repetida neste blogue, pois que - pela atitude que demonstra - muito especialmente me deixo "apreciá-la"]

terça-feira, 12 de abril de 2016

"O Despertar" (1946) revisitado



Falei nisso aqui há algum tempo e na emoção que me causou nos meus 11 anos, como agora constato (a estreia em Portugal foi em 1948).  Chamando por motor de busca o sacrifício da corça e a presumída data, acabei  por o descobrir em http://www.imdb.com/title/tt0039111/com o nome original "The Yearling", que a exibição portuguesa e a argentina traduziram por  "O Despertar", de forma mais adequada que o crisma brasileiro de "Virtude Selvagem".  Num mundo ainda todo escavacado (raio de adjetivo!) pela guerra, um argumento baseado numa novela ganhadora do Prémio Pulitzer, o desempenho de um elenco de luxo: Gregory Peck, Jane Wyman, e Jorman Jr (só não se referindo o nome da corça, que também ia muito bem) e o acesso a dois "Oscar ", o filme  ainda hoje merece os comentários sentidos que se podem ler na ãncora indicada ou  na Wiki... e os meus, que estão na mesma linha. Mais um desejo satisfeito. Ao menos isso.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Prevenção! Da crimo-chulagem na net.

Imagem: courtesy to techaeris.com

No fim da tarde de 4 do corrente assisti, surpreendido, a um caso de spam fraudulento emitido em meu nome, endereço e dados, em que "eu" convidava destinatários, conhecidos e desconhecidos, a clicar num determinado endereço eletrónico. Chegado a casa encontrei na minha caixa de entrada 36 mensagens devolvidas porque não entregues, mas nenhum vestígio de envios na caixa de saída.   Phishing puro e duro, com a novidade de não ser pseudo-proveniente de um banco que ameaça cortar uma conta ou de uma entidade oficial que ameaça com uma penalidade se o clique não for feito. O proposto anzol é aparentemente proveniente da India, embora eu desconfie que esse sufixo localizador possa não passar  de uma máscara fabricada em qualquer sítio para envolver o  virus que certamente a mensagem transportava. A maioria dos anti-virus, inclusive num outro  computador a que tenho acesso, deu pela marosca e colocou um aviso prudente que pode ter afastado  maiores consequências. Resta tirar a limpo como o "hacker-fdp" conseguiu entrar num sistema identicamente blindado e inclusive recolher dados pessoais que constam de e-mails meus de natureza comercial ou académica. Ficou-me a desagradável sensação de "identidade roubada" e mais uma lição a aprender: qualquer mensagem com solicitações insólitas como aquela [Olá! Mandei-lhe uma mensagem confidencial. Ver sua mensagem aqui: ... ], mesmo que simulando provir de uma pessoa singular amiga e mesmo que mostre dados pessoais desse pseudo-emissor, deve ser tratada como são tratados os reconhecidos e hoje já correntes spams de phishing (ainda ontem recebi dois, um simulando vir do Pay-pal e outro, até em duplicado, simulando outra origem institucional). Assim: nunca abrir, apagar mesmo sem colocar a mensagem em qualquer stand-by e procurar averiguar a veracidade da mensagem  junto do pseudo-emissor, por telefone ou outra via (como neste caso sucedeu através de várias chamadas que recebi) e, logo a seguir a esse "enterro electrónico" do intruso, colocar o anti-virus a fazer uma varredura geral completa do computador recipiente, não vá a mensagem ter "duas cabeças". Um outro pormenor: nem todos os endereços da minha lista de contactos foram contactados e houve endereços contactados que dela não constam (possivelmente contactos de contactos). Ignorando a extensão da infecção, contactei a PJ e, dada a ausência àquela hora de interlocutor no departamento de Crime Informático, foi-me sugerida - até para salvaguarda do eu aqui "pseudo-emissor" (pois que isto não foi um caso de phishing recebido, mas sim um caso de phishing emitido em meu nome para terceiros, o que é bem diferente) -  a apresentação de queixa na PSP ou GNR.  O que foi feito.
Concluindo, só me saem duques...

sexta-feira, 1 de abril de 2016

"Código binário" e, como sobremesa, "Mini-sudoku"



É sabido como, depois do aparecimento explosivo do SUDOKU, têm aparecido variantes , inspirações ou mesmo formulações  de jogos lógicos que com aquele terão a similitude de se desenvolverem num quadro – como aliás já eram em quadro que se desenvolveram desde tempos imemoriais até aos nossos dias versões de  passatempos (se unipessoais) ou de jogos (se bipessoais ou polipessoais) tão diversificadas e diversas como as palavras cruzadas, os números cruzados, o “galo”, as damas, o xadrez, o risco e o diplomacy  (um dos meus favoritos) e outros jogos planos lúdicos ditos de “tabuleiro” ou de “mesa” (e modernamente de tablet). Verdade seja dita que o sudoku e derivados mais próximos (falaremos deles aqui um dia[i]) trouxeram ao tabuleiro, de forma elementar, “moderna” e explosiva[ii] o número e a lógica e por isso constituem excelentes exercícios. Ora, folheando uma revistas recente, como as que acompanham os jornais de fim de semana, descobri um passatempo que desconhecia e que me pareceu tão interessante que o passo a descrever:
NOME: “Código binário”
FONTE: “Vidas”, suplemento da edição 23425 do CM
QUADRO: 12x12
REGRAS: Completar c/ 0 e 1 o quadro do problema proposto de modo a que cada linha e cada coluna tenham a mesma quantidade de ambos (ou seja seis 0 e seis 1), não havendo linhas e colunas iguais e não podendo haver mas de dois 0 ou dois 1 seguidos em cada coluna ou linha.
PROBLEMA PROPOSTO:




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SOLUÇÂO APRESENTADA:

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[i] Ainda que o tema de alguns destes derivados não me entusiasme muito, pois que eu sou um “clássico” em matéria de sudoku e acho que chega!,,,
[ii] Tão explosiva que o site do NYT e não só são diariamente inundados de acessos pela “net”aos problemas difíceis (“hard”, dizem eles) e que já há entre nós  publicações que por vezes caem na tentação de apresentar diferentes problemas de SUDOKU com diferentes graus de  dificuldade na mesma edição, isto para além da  bibliografia e netografia já mais que profusa. Não resisto a transcrever a versão aligeirada e divertida do “SUDOKU DOS 6” correntemente apresentada como “Mini” no The Daily Telegraph [este problema  é de 30 de Março ultimo]  em que as regras são as mesmas mas os algarismos são apenas de 1 a 6:




2




5
1



4






1
4


4
6


2

5





É um pequeno (?)  exercício que vos deixo aqui.