domingo, 26 de novembro de 2017

A "CENSURA THEATRAL " EM 1892: ABEL BOTELHO E "OS VENCIDOS DA VIDA"

Militar filho de militar, escritor, diplomata, nascido em Tabuaço (1856) e falecido em 1917 na Argentina, onde representava Portugal. Um dos pugnadores pela bandeira que temos. Defensor da verdade, dura que fosse -  mas que lhe permitiu, numa serie de obras motivadas pela preocupação ("Patologia Social" ou "Patologia do Social", tal a designação do conjunto)  de  procurar e expor vários lados negros da sociedade que tínhamos e que, anos volvidos, em muitas coisas vamos tendo. A obra com que abriu essa série foi, para a sua época e, para muita gente, um  verdadeiro murro no estomago. Polémico, gerou polémica. Também no teatro ver-se-ia atacado e até afastado de cena. em pelo menos dois episódios (1884 e 1892). Neste segundo caso a Censura Teatral atuara logo após a primeira representação, fazendo um "não mais"!. Chama-se a peça "Os vencidos da vida" e disse-se que o violento ataque que sofreu (já lá vamos!) teria sido devido a ter satirizado os que usaram esse nome. Curiosamente, porém, a crítica enche toda a primeira página do "Diário do Governo" de 8 de Abril de 1892.  Com demasiadas repetições, raiando o gongórico, a commissão alarga-se bastamente e justifica-se lançando flores envenenadas. Dir-se-ia que, se o alvo fosse aquele, podia dispensar-se o uso e reuso de zagalote. Talvez o objetivo não fosse pois tão magro quanto isso! Vale a pena ler o texto da Commissão (é comprido mas interessante embora monotípico como o discurso de todas as censuras). Pelos laivos acratas que por vezes apontaram ao censurado e pelo seu fontal antagonismo a rodeios, deve ter ficado azedo com a honra das duas colunas que lhe "dedicaram" na folha de rosto do Jornal Oficial. E, sobretudo, veio trazer mais valor (e sede de a ler) a essa peça em 3 atos, censoriamente rejeitada num ato só e que, ainda que tenha visitado obra de Abel Botelho, desconheço essa de todo.  Fico sequioso por isso, onde apareça!Comparo Abel Botelho `4ª sinfonia de Beethoven : excelente também, mas menos conhecida... porque foi logo cair entre a 3ª e a 5 [1]

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MINISTERIO DOS NEGOCIOS DO REINO
Direcção geral de administração politica e civil
3ª Repartição
Por ordem superior se publica a seguinte resolução da commissão de censura theatral:
O decreto de 29 de março de1890, que regula as condições dos espectaculos publicos, prohibe, no seu artigo 1.º, as representações theatraes que, entre outras offensas, contenham caricaturas ou imitações pessoaes, referencias directas a quaesquer  homens publicos ou pessoas particulares, offensas ao pudor ou á moral publica.
O § unico d’este artigo attribue á autoridade administrativa a faculdade de prohibir a continuação do espectaculo ou a repetição d’elle, uma vez que esteja incurso em qualquer dos casos de offensa que o mesmo artigo ennumera.
Tendo subido á scena do teatro do Gymnasio, em a noite de 22 do corrente, a peça em tres actos Os vencidos da vida, do escritor Abel Botelho, a auctoridade administrativa, usando das atribuições que a lei lhe confere, prohibiu que a mesma peça tornasse a ser ali representada, por entender que n’ella se davam as razóes justificativas d’essa prohibição
A empreza do mesmo teatro, porem, aproveitando a faculdade de recurso para a comissão de censura theatral, que lhe é garantida pelo mencionado decreto, usou d’ella, interpondo o recurso que, por ordem do nosso presidente, o ex.mo ministro e secretario d’estado dos negocios do reino, nos foi mandado julgar.
A commissão, tendo-se reunido sob a presidencia do sr. conselheiro José de Azevedo Castello Branco, por quem s. ex.ª o ministro do reino se fez substituir,  procedeu á leitura da peça em questão , no manuscripto apresentado pela empreza recorrente, e concluiu unanimemente:
1.º Que a peça Os vencidos da vida contém caricaturas e imitações pessoaes: referencias directas a homens publicos e a pessoas particulares; ofensas ao poder e á moral publica;
2.ºQue por todas essas razões está legalmente justificada a sua prohibição.
A commissão, em sua consciencia, e no desempenho do seu dever, nada mais tinha a acrescentar a estas conclusões.  Comtudo, desejosa de patentear bem o seu espirito tolerante e apaziguador, e a equidade da sua final deliberação, fará ainda, muito sumariamente, algumas considerações, que julga indispensaveis  para esclarecimento do seu modo de ver.
Assentando no espirito geral da litteratura contemporanea, e designadamente no da litteratura dramática, reconhece-se uma tal confusão nas ideias moraes, uma tal obscuridade na distincção do bem e do mal , que se torna precisa a maior penetração critica para saber reduzir á primitiva simplicidade as noções que uma arte corrompida tornou complexas e falseou.
A acção energica d’essa arte nos costumes publicos, operada no decorrer de um periodo já longo, tornou estes menos sensiveis á compreensão delicada do que deve ser a arte pura, mais propensos a uma larga tolerancia com as aberrações do gosto, medianamente exigentes em pontos de moral.
Ir de encontro, abruptamente, a este estado inconsciente da opinião e da tolerancia social, seria da parte d’esta commissão um exagero de austeridade, que de certo poucos applaudiriam. Era, portanto, dever nosso analysar, longe de toda a preoccupação exclusiva e absoluta. E antes sob o ponto de vista mais indulgente, se a obra dramatica submettida  ao nosso exame seria susceptivel de soffrer córtes, alterações, emendas, suppressões de phrases ou de scenas, substituições, que a transportassem, pelo menos, ao nivel ao nível em que tantas outras são toleradas sem protestos nem clamores.  A commissão teve o desgosto de reconhecer que não podia adoptar este alvitre conciliador.   
Não é só a fórma , não são apenas meros accidentes superficiaes que tornam a peça do auctor Abel Botelho profundamente ofensiva do podor [sic] e da moral publica; essa offensa brota incessante do plano, da contextura, da essência, do desenvolvimento, da sucessão, dos fundamentos de toda ella.
Nenhuma outra razão tinha de invocar a auctoridade, para justificar a medida prohibitiva que adoptou, e, com effeito, nenhuma outra parece ter sido invocada.
Todavia, não são menos graves e ponderosas as outras duas offensas, em que a peça incorre, ambas previstas na lei; a das referencias directas e a das caricaturas e imitações pessoaes, como já se disse.
N’este ponto, cumpre á commissão registar aqui, que não desconhece quão vulgar  é a frequencia de tal abuso em muitos dos nossos teatros, com menoscabo da lei expressa e grande vexame dos cidadãos offendidos na sua dupla individualide [sic] physica e moral.A tolerancia reprehensivel de que notoriamente a auctoridade usa, para com os delinquentes n’este caso, não pesaria no animo d’esta commissão para a levar a ser menos rigorosa no actual momento, se a peça, confiada à sua apreciação, pecasse apenas n’esses dois pontos e fosse immaculada  no daas offensas à moralidade. A protecção da lei e a energia e solicitude dos seus agentes, não podem abandonar, indefezos, ao desprestigio, ao descredito, que d’estas exhibações lhes resulta, os sindividuos por elas attingidos , quer sejam os mais humildes cidadãos, quer os mais altos magistrados.
Sob este ponto de vista, a peça de que nos occupâmos éaltamente condamnável, porque, visando individuos certos, que os espectadores facilmente reconhecem, faz mais ainda do que caricaturá-los numa deformação da sua personalidade publica, desfigura-lhes os caracteres no lado privado e intimo, tornando os agentes dramaticos no enredo phantasiado, e pesonagens carregados de torpezas a determinarem pelas suas acções a expansão immoral do drama. Assim,  a ignominia em que o auctor se arrasta e apresenta,não só os enxovalha á face dos seus concidadãos, como ainda os fere na sua dignidade de chefes e membros de familia, atacando o recato da vida doméstica e a inviolabilidade do lar de cada um.
A commissão absteve-se cautelosamente de exercer na peça Os vencidos da vida a minima censura de caracter puramente litterario, por não estar ella nem no espirito nem na letra da lei, saíndo portanto do circulo da sua competencia e attribuições. Reconheceu, porém, e isso ainda mais a tranquillisa, que a impossibilidade por ella encontrada em reerguer no tablado scenico a obra derrubada por motivos de policia, não aniquila uma expressão levantada da arte, nem um monumento de gosto.
A lei previdente que instituiu esta commissão de censura, consagrou a seu preito á liberdade das diversas manifestações do pensamento, tendo em mira apenas cohibir o seu abuso. Reconheceu a todos os cidadãos o direito de critica dos costumes, das idéas, das doutrinas, dos sentimentos, por meio das representações theatraes, dentro dos limites em que esse direito é lícito por meio das outras fórmas, sob que, publicamente , póde ser manifestado. Sómente cuidou em restrigil-ona fórma abusivada especulação com a maledicencia, com o escandalo, e com as más paixões do publico.
Não teve esta commissão que desviar-se um apice da doutrina estabelecida por essa lei, nem que hesitou um momento na estricta comprehensão d’ella. Encontrou-se, francamente, não diante de uma obra de critica, mas de uma obra de diffamação. E, mais ainda, sentiu a sua tarefa aligeirada pelo apoio antecipado que lhe deu tanto a reprovação quasi geral do publico intelligente, que assistiu á recita única da peça censurada, como a reprovaçao unanime que enm toda a imprensa da capita, no dia immediato ella teve.
Aquela especulação que a lei previne, não teve tempo de estabelecer-se, nem de affirmar-se.
Começaria agora se, por qualquer tibieza ou por nimia e indisculpavel indulgencia, esta commissão pronunciasse um veredictum contrario ás do presente parecer. As más paixões não chegaram a despertar, o escandalo foi adormecido a tempo, e o primeiro impulso, honesto e nobre, da consciencia publica , repercutido no protesto unisono da imprensa, norteou de certo no caminho da justiça , a boa vontade, o exame desapaixonado e conscencioso, o desejo de acertar, d’esta commissão.
Encerrando aqui a serie de considerações, que tinha a fazer para fundamentar a sua deliberação, a commissão de censura theatral, entende, por fim, que sendo indispensavel deixar comprovadas n’um documento authentico sas razões que levaram a elaborar o seu parecer, para que em nenhum tempo possa ser posta em duvida a justiça das suas conclusões, fique archivado na secretaria do ministerio do reino, junto ao respectivo processo, o manuscripto da peça subettido ao seu exame.
Lisboa, em 5 de abril de 1892. = José de Azevedo Castello Branco  = Luiz Augusto Palmeirim = Zacharias de Aça  = Alberto Pimentel = J. Fernandes Costa, relator.
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1.Aprendi em Arouca algo mais sobre Abel Botelho. No "Mulheres da Beira" uma das narrativas que até deu filme  termina tragicamente com a heroína a lançar-se na cascata que se precipita e que se designa por Misarela ou Mizarela,. Já via as duas versões,  embora acredite ser outra a original, e que num "formato" bem mais expressivo será mesmo "Mijarela.
2.Ora quanto a grafia, tive o cuidado que preservar a de 1892. Com duas vantagens: 1ª Aprender como se "despede" o corretor automático em Word; 2º Poder escrever fazendo pirraça a alguns que por aí andam: "o transcritor usa grafia anterior ao Acordo Ortográfico, mas... antes dessa!".

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

«SELFIE» DE OCULOS ESCUROS & GATO

«Password» de nome

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

DO REI LEAR DISFARÇADO.

Numa das "Alices", e se me não engano narrado pela lagarta, aparece o poena "Father William" que abaixo se transcreve:

"You are old, Father William," the young man said,
"And your hair has become very white;
And yet you incessantly stand on your head—
Do you think, at your age, it is right?"

"In my youth," Father William replied to his son,
"I feared it might injure the brain;
But now that I'm perfectly sure I have none,
Why, I do it again and again."

"You are old," said the youth, "As I mentioned before,
And have grown most uncommonly fat;
Yet you turned a back-somersault in at the door—
Pray, what is the reason of that?"

"In my youth," said the sage, as he shook his grey locks,
"I kept all my limbs very supple
By the use of this ointment—one shilling a box—
Allow me to sell you a couple?"

"You are old," said the youth, "And your jaws are too weak
For anything tougher than suet;
Yet you finished the goose, with the bones and the beak—
Pray, how did you manage to do it?"

"In my youth," said his father, "I took to the law,
And argued each case with my wife;
And the muscular strength which it gave to my jaw,
Has lasted the rest of my life."

"You are old," said the youth, "one would hardly suppose
That your eye was as steady as ever;
Yet you balanced an eel on the end of your nose—
What made you so awfully clever?"

"I have answered three questions, and that is enough,"
Said his father; "don't give yourself airs!
Do you think I can listen all day to such stuff?
Be off, or I'll kick you down stairs!"

 Este poema é, no fundo, uma versão parodiada  [e não só esta]  trazida por Lewis Carroll à sua narrativa e  que, vulgarizado para uso infantil, serviu também para outras paródias em língua inglesa como a satirização do Imperador da Alemanha Guilherme II através de uma versão epigrafada "You are old, Kaiser Willherm", etc. etc. Foi também musicado e cantado por gente miúda  e adulta e devidamente reproduzido no cinema e em representações teatrais, quando de Alice se tratava.
Na tradução portuguesa das Alice tem sempre sido referido a um "Tio Guilherme".

Mas a origem do poema está num outro autor inglês, o poeta romântico Robert Southey (1774-1843) que o escreveu em 1799 sob o título "The Old Man Comforts and How he Gained Them":

You are old, Father William the young man cried,
     The few locks which are left you are grey;
You are hale, Father William, a hearty old man,
     Now tell me the reason, I pray.
In the days of my youth, Father William replied,
     I remember’d that youth would fly fast,
And abused not my health and my vigour at first,
     That I never might need them at last.
You are old, Father William, the young man cried,
     And pleasures with youth pass away;
And yet you lament not the days that are gone,
     Now tell me the reason, I pray.
In the days of my youth, Father William replied,
     I remember’d that youth could not last;
I thought of the future, whatever I did,
     That I never might grieve for the past.
You are old, Father William, the young man cried,
     And life must be hastening away;
You are cheerful, and love to converse upon death,
     Now tell me the reason, I pray.
I am cheerful, young man, Father William replied,
     Let the cause thy attention engage;
In the days of my youth I remember’d my God!
      And He hath not forgotten my age.


A finalidade moralista do poema de Southey, muito ao gosto da época, é por demais evidente: atenuar as agruras da velhice com os frutos positivos da idade e a forma de os conseguir através de uma cauta condução de vida (digamos assim, com certas reservas), autoconvencidamente exposta Escondia-se assim,  sob um pudor moralista, todas as questões negativas que naturalmente acompanham a idade e marcam, em diversos planos,  o envelhecimento. Numa visão realista, estou nisso mais com Carroll, o divulgador satírico, que com Southey, o moralista [1] - embora os entenda, nos seus tempos e objetivos. Mas já lá vamos...

Do liceal que fui e não deixei de ser  ficou-me marcada  na memória uma frase-desabafo colhida numa das primeiras aulas de Filosofia: "para compreender o Homem é  imprescindível, como mínimo essencial, conhecer a obra de três autores: Shakespeare,  Dostoievski e Nietzsche." . Ora  é no primeiro destes autores que  se encontra uma análise realista e crua do processo do envelhecimento que de facto todos deveriam ler e compreender: o "Rei Lear"
.
Mas não será por acaso que,  numa peça de um famoso autor russo, Anton Tchekov, se volta a encontrar o mesmo conjunto de questões  que Shelley escamoteou no seu intuito moralizador, que Carroll parodiou colocando-as na boca de uma lagarta "ad usum delphini" e que Shakespeare denunciou de forma realista no "Rei Lear". William  é em Português Guilherme, e   Guilherme é em Russo  Vânia, como tio é Diádia. Tchekov,  ao substituir o "Father" pelo  "Tio" obtem o título, em russo tão  eufónico, de  "Diádia Vânia" para uma das suas mais marcantes peças: "O Tio Vânia". Procure-se nesta, e sobretudo na sua cena final, uma mesma expressão da velhice.
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[1] Uma particularidade de Southey foi o seu interesse pela história de Portugal e do Braisl. Deve-se-lhe uma desevoldida "História do Brasil" que só com o seculo XIX já bastante avançado seria traduzida e publicada ... no Brasil, em vários volumes.  
[2].Que viveram na Inglaterra, Rússia e  Alemanha em 1564-1616, 1821-1881 e 1844-1900.
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1
















































terça-feira, 24 de outubro de 2017

A PERA ERÓTICA...

No princípio era uma pera que não passava de ser pera, no meio de outra fruta que nem proibida era:


Mas há peras e peras, como há marmelos e marmelos, e daí...


ou, verticalizando, 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A NOÇÃO DA MOÇÃO

  

por J. W. Turner (1839)

... ou da "censuração" por (ou para) rebocação!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

"OLD DOG... NEW TRICKS!"

Diz a lenda que o pai levou o filho adolescente ao cimo da escarpa de onde os "cidadões" (no plural  em tempos solto por um alto magistrado) costumavam lançar os mais velhos para evitarem os pesadelos próprios e os custos de uma visão social. E, em chegando ao cimo da escarpa, virou-se para o teenager e assim perorou: Daqui, meu filho, ir-me-ás lançar quando alquebrado for. Mas toma nota que será tambémdaqui que serás lançado pelos teus filhos quando alquebrado te tornares. Por isso, pensa bem e desde já como são as coisas.
A história, assim posta na sua veneranda existência [1]   tem duas respostas.
Na resposta clássica o filho dirá algo como "Entendi-te, pai, na mensagem de verdade que aqui me mostras e com que evidencias a real recompensa que a lei desta cidade reserva aos mais velhos e assim  ao teu esforço, aos anos que viveste e ao que neles fizeste,  à vida que me deste e à companhia e desvelo com que acompanhas o meu crescimento. Passarei também a mesma mensagem aos meus filhos, para que a entendam e procurem ir criando um mundo melhor e mais justo" [1]
Na resposta moderna, o puto já crescidote, dirá apenas, displicentemente:: "Fogo,  meu! Ainda bem que m'avisas p'ra que nessa eu não caia! E  é mas é por essas que  dispensarei ter filhos, prontes! "

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[1] E mesmo assim algo "soft" , pois numa versão "hardcore" a cena passa-se quando o filho vai mesmo lançar o pai. Nessa versão  "hard", mas com fim feliz, o filho desiste e voltam ambos para casa. Koniec!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

CORRELAÇÕES


Surgiu recentemente nos MCS uma jovem senhora a correlacionar "menos acendimentos com mais  área ardida" e a concluir que um tal desvio revelaria falta de coordenação no combate aos fogos florestais.  Apressada e parcial conclusão! No momento em que  meios oficiais falam em  95% de causa humana (intencional ou negligente, mas em ambos os casos criminosa) caberá perguntar se esse mesmo desvio não poderá, antes, traduzir uma mais refinada astúcia por parte de quem comete o crime?

Aliás ao perfil-tipo do pirómano que dominantemente nos é apresentado, e que sempre prima por uma visão redutora de personalidade, conviria acrescentar uma aoutra figura: a do consciente e intencional  mandado -- e, por isso, alargar a investigação  para que o peso da justiça igualmente recaia sobre eventuais mandantes que possam existir..

Imagem: corrtesia a Columbia.edu

quarta-feira, 26 de julho de 2017

PROTESTO

 Estamos assistindo à mais vergonhosa exploração política da tragédia! Como se isso não chegasse, a disfunção da comunicação social contribui e a saturação macabra de imagens e discursos insistentemente repetidos em TV's toca um cenário próximo da "lavagem ao cérebro". Continuemos muito atentos a manobrismos indecorosos. Haja respeito.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

NO MORE MY FACE IN THAT BOOK !

Como resposta a diversas tentativas de contato informo que, desde o dia 10 do corrente mês de Julho, suspendi a minha conta no FACEBOOK, onde - seja dito .- a minha presença já não era, de há muito, praticada.

Retomarei a minha presença no "blogger", com intervenções curtas, sem prometer assiduidade.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Geografia

A capital do Montenegro será Skopje? Não! A resposta certa é Podgorica! Quem tal diria?! Do Montenegro, ainda por cima!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Como o BP se ri da RP (mas a RP não pode nem deve rir-se do BP)

Fui hoje defrontado com mais um prato nacional. Um Banco (os bancos de madeira serão mais sólidos?) pediu-me para atualizar os meus dados. Menos mal...Dirigi-me ao mesmo e pediram-me o cartão de cidadão para copiar. Ciente das limitações legais que os órgãos competentes da RP  opõe  a este pedido, como  recente e abundantemente ventiladas nos MCS, confrontaram-me com a exigência do BP para que existisse um suporte documental à referida atualização - e esse suporte teria de ser uma cópia do CC. Negociamos uma plataforma, reclamei e vou reclamar no sítio do BP. Dizem-me então que o questão é recorrente,  que existem (lá) "abundantes reclamações no mesmo sentido", donde concluo que o digno BP parece ter entrado  na indústria das "tintas" por estar-se nelas e não alterar as suas exigências. Do lado da RP, quem legisla não parece incomodar-se com as "tintas" do BP. Quem, pois e aqui,  manda onde e como? Pelas pequenas coisas se medem as grandes e a questão não é de pagodeira. Acertem os relógios, não por favor mas por obrigação. Organizem-se!

sábado, 8 de abril de 2017

Um apelo...voltado a Barrancos

Por várias razões andei às voltas pelas grandes minas do Sul. Existem (e existirão) excelentes trabalhos sobre várias destas - e muito ainda haverá que sobre elas escrever.  Mas, ao que eu me apercebo, existem recantos em que a bibliografia histórico-mineira ainda entrou devagarinho ou mesmo não entrou. É esta a situação singular das minas de Barrancos, que muitas foram e que poderiam construir uma boa história, uma boa tese, uma verdadeira exemplificação de como os registos do Polido, passaram aos diplomas de descobridor legal atribuído ao Polido, às concessões do Polido, à empresa mineira do Polido já em Lisboa, à Polido Copper Mines em Londres, à Ardila  Copper Mines, já com menos ou  sem Polido, também em Londres - tudo isto no antigamente, num flagrante exemplo de como um minério não muito abundante em reservas mas muito rico  foi sendo deslocalizado em sede social até terminar esse primeiro ato num jogo de transmissões entre ingleses. Pelo caminho, ficou o desastre da mina de Minancos, que, em tempos de "Germinal", fez comoção nacional e chegou à mesa do Rei, com reflexos regulamentares e políticos. Apagada essa primeira fase nos pergaminhos e nas crises, o saliente de Barrancos, na sua parte barranquenha, manteve o interesse do Serviço de Fomento Mineiro, com atividades no local,  e até uma das suas minas, Aparis, abasteceria regularmente com concentrados a metalurgia de cobre da CUF, no Barreiro, até quase ao fim de vida de ambas. E não há quem se dedique a estudar isto tudo? Procuram-se temas de tese e, por vezes, ignoram-se mananciais disponíveis. Apelo a que se queira saber mais sobre isto, a que se  aborde  e conte  a história  e a memória mineira de Barrancos, e, a quem tal firmemente interesse,  poderei dizer  algo mais sobre  onde fazer a prospeção e pesquisa inicial do trabalho, numa abordagem que considero já bem concreta e documentada para tão rico  filão!

Quanto a outros locais alentejanos, bem mais recentes, e ao desatino nacional do "divórcio MM", ou "M sem M", que ingloriamente persiste,  a história falará um dia. Mas a narrativa escassamente  existente  das minas de Barrancos, e não só,  poderia anunciar já o fado de outras, cada uma na sua escala, conteúdo e sobretudo destinação de lucro, dentro do adágio navegador de "grande nau, grande tormenta"....

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O discurso de David K Harbour na sessão de atribuição dos SAG Awards de JAN29

Ontem, no "Eixo do Mal", foram colocadas as expressivas caretas (e gestos) da Winona Ryder ao ouvir o discurso em título na sessão de atribuição dos prémios 2017 da SAG (Screen Actors Guild) de Hollywood. Tão rapidamente a coisa passou  e tão essencialmente foi focada no visual da Winona que os televidentes pouco  terão apanhado do essencial conteúdo desse discurso, aliás legendado, para registarem uma definição exacta da resistência das gentes do cinema e tele-séries dos EUA ao momento que passa e que recorda momentos também difíceis vividos por essa comunidade na época sombria do  senador Joseph McCarty (quem se lembra hoje da mostrengosa do criatura )?  No YouTube poderão re.ouvir o discurso. bem como, procurando ao lado,  outros proferidos no mesmo ato e todos batendo nos mesmos pontos podres: :
                                           https://www.youtube.com/watch?v=n3GtV-7bX0Q
E para quem quiser conhecer nomeações e resultados, anunciados nessa sessão::
 http://sagawards.tntdrama.com/nominees






domingo, 22 de janeiro de 2017

Inesperável regresso

Durante algum tempo andei por fora, dentro. O material que tenho, fraco e desordenado, será reposto qualquer dia. Continuo aficionado do BLOGGER e irremediavelmente refratario ao FACEBOOK, que considero uma das pragas do Sec XXI [01]. E acho mesmo incompreensivel que responsáveis por qualquer coisa que valha a pena neste planeta recorram com as suas efabulações para o lucro (e a propriedade) de uma empresa privada com sede algures no continente americano. Por favor não me facebuquem mais a molécula ! E passem bem.

Uma palavrinha final aos e às avestruzes:  anda por aí uma versão das coisas que é dizer que "não me interessa falar do que se passa na tal América porque isso se passa na tal América e eu tenho é de me preocupar apenas com o que sucede por cá". Ignoram certamente o adjetivo substantivado "global" e fazem como as avestruzes. Cuidado, porém, com o empobrecimento global, que é indesejável, e mais ainda com o aquecimento global intenso e rápido que poderá ser ainda mais insesejável Olhinhos, pois, tanto na carroça como no jumento e nas estrerpolias que entretanto se sigam fazendo.

Assim, bom juízo na moleirinha. E topem-me  a pinta do gajo, como disse (e bem) o D.Carlos ao topar o bigodes-de-gato na então já não-Prússia. Porque o gajo agora é bem outro, certamente pior,. com a cultura e a descompostura  de um Cro-Magnon revisitado e  -quanto a chanfradeira - não estará sozinho [2].

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(1) Continuo sem perceber, queirosianamente, o interesse que, em pleno fin de siècle, teria o receber em mansão parisiense  a notícia de  que a fragata russa  "Azov" tinha arribado a Marselha com avaria, como, nos dias de hoje, Fulano-de-tal registar para todo uma vivência planetária que acabava de fazer xi-xi no mijarol do McDonalds mais proximo de Trafalgar Square.
[2] A chanfradeira atrai a chanfradeira na razão direta das "massas" e na razão inversa do quadrado da educação.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Da criação do chaos!

Ao olhar a Praça de Espanha, a mais inamistosa praça de Lisboa para peões, e ao ver o comportamento meta-semafórico (met-o-quê?) dos senhores semoventistas a dispararem por ali, uma pergunta me assaltou de surpresa:: por que não colocar também o amarelo, além do vermelho e do verde, na sinalização passa/fica  das passadeiras dos peões?

sábado, 24 de setembro de 2016

Coroemo-nos de rosas, antes que (estas) murchem...

... ou antes que nós murchemos.

Conheci esta frase latina apontada a lápis, com uma excelente caligrafia, numa página de um livro antigo, na Biblioteca Municipal do Porto e achei-a tão curiosa que logo a anotei. Terá possivelmente sido o Professor Cruz Malpique que m'a traduziu e explicou. Lembro-me que a discuti, no Liceu (o LAH, claro)  com o Manel, que ainda só era "o Manel" mas que já a tinha conhecido por outra via [1].  Naquele tempo, ou algo antes disso, o rigor vigente  nos restos do Império tinha proibido uma música carnavalesca importada do Brasil e que, numa forma muito mais popular, tinha o refrão saturante e incessantemente repetido pela rádio (até a zelosa censura o proibir, claro)  de "o que se leva desta vida é o que se come, o que se bebe, o que se brinca, ai ai". Encanta-me repetir aqui o que então foi proibido e especial e arrogantemente  fazê-lo quando, no mundo em que vivemos, tudo se nos volta a ser servido com o apagamento da alegria sob um manto negro de terror. Abrimos o jornal, ou ligamos a TV,  e logo o terror aparece. Estamos sempre no risco de qualquer resgate, na iminência de qualquer desgraça, na ameaça permanente de qualquer insegurança, no comportamento insólito dos que deveriam dar algum exemplo (e dão precisamente o contrário), na expetativa do que poderia apresentar alguma esperança (e logo qualquer esperança é criticada).  Ironicamente, foi a Nona,  a Nona  que  enroupou  em música a ode   "Sobre a  Alegria" que Schiller nos deixou, o escolhido hino para uma Europa que tantas vezes já se dilacerou e que parece querer viver no frenesi triste e de mal agouro de 1913 -   e mais não digo. Coroemo-nos de rosas... e há logo quem vá à pressa buscar ao Livro (ao "nosso", claro, e nos leve ao Sab 2,8) o versículo que, por isso, imediatamente nos desqualifica e  nos condena [3] - talqualmente como, nos anos 40 ou 50,  se fez proibir o samba em modelo pre-pimba ou como a criança infeliz que traduzia a infelicidade que testemunhava por um "aqui ninguém se ri". Austeridade pois, mas só de fachada. Porque, invocando a austeridade, o que efetivamente se procura é a desregulação discriminatória, exatamente o contrário das virtudes que se pretendem exaltar. Mata-se a alegria, exportam-se os jovens (que, tanto aqui como na Estónia, se fartam de consumir tranquilizantes), (des)consideram-se os velhos... mas em todos esses capítulos alguém  procurará prudentemente colocar o seletivo "alguns": "alguma" alegria (outros que a possam ter), "alguns" jovens(outros que possam empanturrar-se na zona de conforto que ainda fique), "alguns" velhos (que tenham tido a prudência de traduzir a tempo a expressão "off shore"). Aos outros, o monstro informático que os trate como números, que lhes invada a privacidade, que os sature com redes ditas sociais (sociais o tanas), que os amarre à uma imposição sucessivamente crescente, que lhes imponha um PIB e lhes saque por todas as formas o que possam ter, que lhes mostre o descrédito das instituições que poderiam esperar e desejar ter como firmes - e que, ainda por cima, sempre façam isso com um dedo apontado. Queixemo-nos depois, nós que a fizemos,  de que a geração que deixamos é pior que a "nossa, pois que o tempo corre e com ele se perde o momento  de dar uma biqueirada em muita coisa que nos rodeia, ao nível do que podemos e enquanto podemos - antes que nós próprios murchemos, como as rosas.

Daí o ter encontrado na "net" (essa excelente via de conhecimento  que tão mal usada também é) o poema que um  Thomas Jordan (1612?–1685) escreveu e  que Arthur Quiller-Couch, transcreveu  no "The Oxford Book of English Verse: 1250–1900" editado em 1919 [2]:
  

"Coronemus nos Rosis antequam marcescant...
  

LET us drink and be merry, dance, joke, and rejoice,
With claret and sherry, theorbo and voice!
The changeable world to our joy is unjust,
      All treasure 's uncertain,
      Then down with your dust!
In frolics dispose your pounds, shillings, and pence,
For we shall be nothing a hundred years hence.
.
We'll sport and be free with Moll, Betty, and Dolly,
Have oysters and lobsters to cure melancholy:
Fish-dinners will make a man spring like a flea,
      Dame Venus, love's lady,
      Was born of the sea;
With her and with Bacchus we'll tickle the sense,
For we shall be past it a hundred years hence.
.
Your most beautiful bride who with garlands is crown'd
And kills with each glance as she treads on the ground,
Whose lightness and brightness doth shine in such splendour
      That none but the stars
      Are thought fit to attend her,
Though now she be pleasant and sweet to the sense,
Will be damnable mouldy a hundred years hence.
.
Then why should we turmoil in cares and in fears,
Turn all our tranquill'ty to sighs and to tears?
Let 's eat, drink, and play till the worms do corrupt us,
      'Tis certain, Post mortem
      Nulla voluptas.
For health, wealth and beauty, wit, learning and sense,
Must all come to nothing a hundred years hence."

Boa noite e bons sonhos, no  que a valeriana (com "v") ainda ajuda - já que com "V" seguramente melhor seria.

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[1] E que até, ele próprio, acabou por escrever um poema nela inspirado, publicado no jornal do Liceu,  quiçá um dos primeiros poemas do Manuel Alegre a ser  divulgado em forma impressa. Sobre o assunto ( o poema, o Professor Cruz Malpique e o "Prelúdio", cuja 1ª Série ainda acabará um dia por aparecer digitalizada) ver:
alem do já referido "blogue da malta de 1954" que no dia 4 se vai novamente reunir no Porto e que nesse veículo deda memória conta muito mais coisas.

 [2] Cortesia a www.bartleby.com/101/325.html (mas também www.bartleby.com/40/246.html, de uma outra antologia, de 1909, e tendo o primeiro verso como título). Aliás se procurarem Thomas Jordan com um motor de busca, sair-vos-á, antes do poeta do sec.XVII e com mais desenvolvimento, um hodierno, homónimo e inesperado economista e administrador bancário suíço. Sinal dos tempos!

[3] As reservas ao coroar com rosas vão muito mais longe do que eu pensava. Se se fizer uma procura em motor de busca, quer pela frase, quer pela imagem, encontrar-se-á o património religioso a dominar. a amarfanhar mesmo, a representação ou expressão profana. Uma razão emergente poderá provir da frase, assaz repetida, de que "uma coroa de rosas também é uma coroa de espinhos" - trazendo imediatamente o peso negativo e condenatório da Paixão de Cristo. Mas - passando de lado a questão botânica e secundária  da feitura da "coroa de espinhos" (i.e. se seria uma coroa de silvas, ou de rosas ou de eufórbias) - o versículo citado, do Livro da Sabedoria, possivelmente coevo da erupção de Santorin e da destruição da civilização minoica, antecede - e por  muito tempo mesmo - o drama do Calvário. Verdade, verdadinha, é que a frase latina pareceu inspirar a poesia e até a música a esta aliada (Tchaikovski fecit)  mas não entusiasmou, ao que eu saiba,  a pintura clássica.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Do Liceu de Alexandre Herculano, no Porto, à Trisavó de todas as Guerras, no Mundo


No dia 29 de Maio p.p. coloquei neste blog uma breve notícia sobre a questão legislada (em 1911) entre  ensino público e privado em Portugal e agora reaberta, em amarelo, pelos homólogos dos que então já aberto a tinham. Daí a pergunta no título da postagem, essa. Respondeu-me um respeitável Leitor, a quem eu devo sempre oportunos comentários.  Repliquei à resposta, agradecendo, e levantando mais dúvidas e preocupações sobre o estado atual do LAH, do Porto, que na resposta tinha vindo à conversa - aquele que hoje se chama Escola e se chamava Liceu, ao fundo da Avenida Camilo, e que foi e será sempre, para mim e para muitos de nós, o “nosso Liceu”. Por inépcia minha esse agradecimento e réplica, como verifiquei agora, ficou “no espaço” e, por isso, decidi pedir desculpa ao meu sempre considerado comentador-leitor. Mas alonguei-me na resposta e meti coisas que, sendo adicionais, ouso presumir como podendo ter alguma utilidade ou interesse e – por isso – acrescem, quais epífitas,  à essência original da resposta (que era e é uma apreensão manifesta pelo LAH) e ao agradecimento e o mais que adiante se verá. Decidi depois transportar toda essa resposta para o texto principal tal como o poria no blogue  que existe, se não tivesse entretanto perdido os respetivos códigos e palavras-chaves pelas esquinetas de uma memória cada vez mais qsf [1]. Transcrevo o que foi possível refazer e o que acrescentei: 

“Muito agradeço pelo aviso sobre o LAH [2] E volto à minha pergunta, já deixada noutro local:  o que será feito das excelentes coleções de mineralogia e geologia, da sala de Ciências Naturais, da vidraria e dos aparelhos e modelos dos laboratórios de Química e de Física e até da Sala de Geografia, que muito teria para contar em termos de modificação de fronteiras e de espíritos neste Mundo ainda em crise de mudança de milénio. Mesmo que estejam inventariadas e bem arrecadadas – assim o espero –, estão de qualquer forma perdidas quanto à utilidade pública do seu valor e divulgação, só por si merecedores de uma recolha e apresentação museológica. Entretanto, numa das minhas divagações, fui encontrar a designação adrede de uma comissão para superintender e acompanhar a construção do novo edifício para o Liceu de Alexandre Herculano, no Porto (DG - 1914 - 2ª Série - nº 206, de 3 de Setembro, pag. 3104), quando, noutras sedes, já se começava a descrer na ideia ingénua de que a 1ª Guerra pudesse acabar pelo Natal!). As expropriações dos terrenos e a designação de quem as outorgou, por parte do Governo, estão também acessíveis por ali e levantam uma outra curiosa questão [3]. Velhinho Alexandre... durou mais que impérios sortidos e de diversas cores, com ou sem dourados, que então ainda existiam... e de outros que, pelo meio, foram e vieram. Numa deriva que a coincidência cronológica e os centenários que vivemos vieram sugerir, direi apenas, fazendo uma  agulha, quanto  entretanto se foi gradualmente diluindo, em termos de candura, a imagem que tinha de um  Presidente Wilson idealista e sonhador (aliás o primeiro presidente sulista dos EUA, após a Guerra da Secessão). E o mesmo direi para outros ícones do mesmo conflito.  Obviamente que há muitos livros publicados e a publicar sobre a WW1, mas, dos que li, há um, pequenino em tamanho, que considero essencial e que me parece suprir, para uma abordagem imediata,  muitos e bem mais avantajados volumes: a obra de NORMAN STONE "Primeira Guerra Mundial - uma História Concisa", entre nós editada pela D.Quixote. Está lá (quase) tudo o que é importante! E, embora a tradução seja muito aceitável, quem se quiser deleitar com o compreensível e leve  Inglês do Autor, poderá recorrer à  versão original  editada pela Penguin ("A Short WW1 History"). Vem ainda a propósito dizer que, quanto à nossa intervenção nesse conflito global -- que, extrapolando o dito do Saddan, se poderia designar por "Trisavó de todas as Guerras” --  encontrei ultimamente uma tese norte americana que aborda um tema ainda hoje e aqui polémico e aborda-o positivamente, numa visão que procura  isentar-se  de polarizações norte-europeias (o que é raro quando de nós falam - seja de WW1, seja do raio que os parta). Pois aí vão as referências já que todo o texto se pode procurar, encontrar e descarregar da "net":  PYLE, James (2012) "The Portuguese Expeditionary Corps in World War I . From Inception to Combat Destruction 1916-1918", University of North Texas. Boas leituras…[4]

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[1] O blog existe em www.lah-1954. blogspot.com e está saudável, graças ao esforço e perseverança do Colega que o mantém e  subscreve e que generosamente permite recuperar a memória desse quanto se foi. 
[2] Tratava-se tanto da oportuna intervenção do Dr. José Pacheco Pereira, ex aluno do LAH, publicada no Jornal "Público" de 28 de Maio p.p. e reportada no blogue citado em [1], supra como da documentada reportagem de Patrícia Leitão em  https://jpn.up.pt/2016/05/24/alexandre-herculano-liceu-historico-quer-reerguer-da-degradacao/
[3] Tendo as expropriações por utilidade pública sido feitas com um objetivo preciso e de propósito bem definido, como consta do DG, será possível que permitam reversões caso os terrenos expropriados venham a ser dirigidos para outras finalidades, quiçá distintas dum objetivo de ensino  e / ou especulativas, como já zuniu por aí? E, muito em especial, se se deixar arruinar o edificado para, pela ruína deste,  eventualmente se invoque como justificável um  tal desvio de propósito?
[4] Convida-se o leitor a mais uma leitura edificante e "caçável na net", com a caraterística peculiar de ter sido escrita antes da intervenção americana na WW1 por um sociólogo e economista  pouco conhecido entre nós e que teve um percurso académico muito singular, Thorstein VEBLEN. O texto chama-se "Imperial Germany and the Industrial Revolution". E quem quiser melhor conhecer Veblen, num âmbito algo diferenciado daquele,  poderá também pescar na "net" uma sua obra-mestra, intitulada  "Theory of the Leisure Class".

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

As Treze Rosas Vermelhas de Madrid

Relembrando as treze jovens fuziladas na madrugada de 5 de Agosto de 1939 em Madrid, para que -como pediram e merecem - nunca os seus nomes fiquem esquecidos:

"Sus nombres eran Carmen Barrero Aguado, Martina Barroso García, Blanca Brissac Vázquez, Pilar Bueno Ibáñez, Julia Conesa Conesa, Adelina García Casillas, Elena Gil Olaya, Virtudes González García, Ana López Gallego, Joaquina López Laffite, Dionisia Manzanero Salas, Victoria Muñoz García y Luisa Rodríguez de la Fuente."

agradecendo a "Muy Historia / Muy Interesante" a transcrição aqui feita. Os nomes estão em ordem alfabética pelo primeiro patronímico, o paterno, como é uso em Espanha.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Uma história portuguesa... que não foi unica.

Da famosa "Siderurgia de Alcochete"...
... como narrada no DG 2ª Série, nº 83 de  9 de Abril de 1916, páginas 1272 e 1273:

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sexta-feira, 24 de junho de 2016

(G)Old Man Sex?

Dizia Newton:

"A matéria atrai a matéria na razão directa das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias."

Voilá!

E, tendo Montaigne dito que "les bons esprits se rencontrent", seria também de admitir que "et les mauvais aussi".

A tempo: Os comentários que aparecem nos espaços para isso abertos em portais de notícias ou nas (mal)ditas redes sociais a elas ligadas cumprem também uma regra universal: esgotadas rápida e parcamente as tentativas de exposição racional de razões (por vezes essas tentativas nem existem) entra-se na globalização da peixeirada e no insulto chocarreiro ao interlocutor desconhecido, como se isso lhe fizesse demonstrar razão (talvez auto-faça, mas não passa daí!). Essas estranhas vias são, pois, uma expressão clara do "discurso escondido" no rigoroso sentido técnico. E, com isso, trazem algo mais: perda de tempo, ganho de entropia, percepção de incapacidade e engano de endereço. Porque a luta não é ali!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

BREXIto

DE qualquer forma uma colossal e histórica "barraca", para qualquer lado que a votação desse. E não se pode deixar de dizer que os EUroburocratas entrincheirados em Bruxelas  ou ali à volta, incluindo os (sempre) autoproclamados uber alles, não fizeram o possível e o impossível para chegar a isto. 

Esperemos agora pelas eleições do apartamento ao lado, aqui no piso.

Acrescentarei qualquer coisa, quando descobrir, neste blogue, onde a deixei. Pronto, já encontrei e já descobri que tenho alguns "poderes" e que, de ainda longe, topei o cheirete que se estava a gerar: vejam-se as "bicadas" de 16DEC2010 e 05JAN2011, relembradas em 16JUL2015, em que se fala de EFTA, de burro do presépio e até de Sócrates. Quanto ao resto, de Bruxelas que fiquem os restaurantes do Sablon.

Hasta domingo, en Madrid!

E a fechar, recebida a notícia da natural e consequente demissão do Cameron, :mais uma alfinetada : repararam já como o Boris e o Trump até têm semelhanças?

domingo, 29 de maio de 2016

Pro-memoria secular ou ainda andam por aí Talassas ?

Em 5de Dezembro de 1916 o Diário do Governo, 1ª Série, nº245, publicava o Decreto nº 2:887que inseria todas as disposições da lei então em vigor sobre instrução primária  e normal. O diploma foi republicado no DG, 1º série,  nº 2 de 3 de Janeiro de 1917, pags. 5 a 22, iniciando uma série de diplomas que integravam o que se chamou a "reforma do ensino de 1917". Desse diploma destaca-se o artigo 52º que seguidamente se reproduz e que já vinha dos primeiros meses da então jovem República:


Passaram mais de 100 anos... e continuamos a querer esquecer o razoável e a pensar: "O contribuinte que pague desde que o contribuinte não seja eu..." ou, numa de liberal declarado: "menos Estado e melhor Estado, mas que o subsídiozinho não falte!"