sábado, 31 de março de 2018

NA PERMANENTE SESTA...

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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

MANUEL DA CRUZ MALPIQUE (Nisa, 1902 - Porto, 1992)


O Projeto "Tertúlias Augusto Cabrita" realiza-se há sete anos letivos no Barreiro, nas instalações  da Escola Secundária (hoje Agrupamento) que recolheu, como patrono, o nome desse barreirense ilustre (Augusto Cabrita). Da multiplicidade e riqueza dos temas tratados nesse projeto e do desenvolvimento das diversas sessões, dirigidas a docentes, discentes, familiares  destes e a interessados que queiram assistir, pode procurar-se relato no Facebook buscando precisamente por  "Tertúlias Augusto Cabrita". 
Feita esta brevíssima e muito incompleta introdução convirá dizer quem uma das preocupações do projeto foi, em cada época, homenagear um  (ou vários) professores que, por alguma forma, se tenham especialmente distinguido no essencial e sempre difícil mister de educar. Se nas 4 primeiras épocas essas evocações tiveram lugar em sessões especiais, que adquiriam ou estava previsto decorressem num sarau artístico de instalação e caráter mais amplo, a alteração desse formato determinou, para as  três ultimas épocas, uma modificação no conteúdo da homenagem, agora posicionada  como uma das próprias tertúlias - mas editando uma pequena edição biográfica em que igualmente se desse conta do motivo da homenagem e se apresentasse(m)  um ou mais textos do homenageado. Foi este o caso  das homenagens aos professores Bento de Jesus Caraça (Outubro de  2015),  Fernando Lopes Graça (Novembro de 2016) e Manuel da Cruz Malpique (Outubro de 2017) [2]. Com a devida vénia à organização dessas Tertúlias traz-se esta informação e reproduziu-se supra o rosto da ultima dessas três obras,  recordando que o Professor Manuel da Cruz Malpique, como se refere no respetivo preâmbulo, "sempre granjeou o reconhecimento  dos que beneficiaram da sua erudição, convívio , ensino e amizade que sempre soube manter numa trajetória letiva e pessoal que iria abranger liceus de Lisboa, Faro, Angra do Heroísmo e Luanda até ao seu ingresso no quadro do Liceu de Alexandre Herculano, no Porto, onde lecionou História e Filosofia desde 1948 até atingir a reforma.". O texto de apresentação que inicia a referida edição, bem como o proferido na própria tertúlia evocativa, foram conduzidos pelo Dr. Rui Abrunhosa. Ainda, do respetivo preâmbulo, se transcreve a informação de que "a obra de Cruz Malpique é extensa, multifária e está em grande parte dispersa, a reclamar inventário. Dela, além do grande número de livros publicados ( e muitos deles dedicados ao ensino, ao método e ao convívio de docentes e discentes) e do material inédito entregue à Biblioteca Municipal do Porto, há que igualmente registar a sistemática  colaboração que, desde a juventude, veio a manter na imprensa periódica, nomeadamente regional", Excelente "dica" esta para uma ou mais teses.

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[1] Sem afetar, quanto ao suporte, a opinião expressa na postagem de 20 de Julho de 2017, esta referência mantem-se pelo mérito, utilidade e necessidade da informação contida, digna aliás de constituir um sítio próprio.
[2] Medito quão oportuna poderia ser a recuperação sob forma identica das homenagens anteriores. realizadas nas 4 primeiras épocas das "Tertúlias".

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

POESIA... NO FUTEBOL

O "Anjo de Pernas Tortas" ou "Garrincha"

Um soneto de Vinicius de Morais:


O ANJO DE PERNAS TORTAS

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés - um pé-de-vento!

Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: - Gooooool!
É pura imagem: um G que chuta um O
Dentro da meta, um L. É pura dança!
Vinícius de Morais

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

DO INGLÊS PÓS BREXIT

Após ter recebido na Faculdade, três textos norte-americanos (um deles, o melhor, traduzido ironicamente de um original escrito em Francês por utores franceses) pus-me a pensar no Inglês como língua europeia pós Brexit.  Cumpre-se a saga iniciada com a Primeira Grande Guerra e que trazia a marca do sonho escondido do sulista Wilson ao envergonhar os impérios desordeiros trazendo-lhes o necessário auxílio e mostrando-lhes a pujança da democracia americana, com a reprimenda escrita dos famosos pontos: America First. Se longe já vão os  tempos em que o linguajar diplomático era, inquestionavelmente, em Francês,e se o Latim, pelas suas próprias dificuldades e "cristalização", não parece recuperável para um uso  moderno, ficaremos condenados pela circunstância e falta de visão a usar na vida  uma língua que deixará de ser nacional de qualquer membro da UE [1] ? Et alors! Kion fari? 

Se houvesse muita, mas mesmo muita, coragem, poderia haver solução!

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[1] Uma reflexão, aqui, sobre a coragem do  contributo europeu para uma expressão unívoca ao criar e lutar pela aimposição do Sistema Métrico..

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

DA INÉPCIA PROTETORA DE DEUSES FORTUITOS

Pousada na banca, a embalagem vazia tinha substituído o primitivo iogurte por um pleno de água. Na borda seca um agrupamento de formigas resistia, como mancha,  ao frio reinante. e procurava restos açucarados.Na água, uma formiga isolada, em riscos de afogar-se, estrebuchava, aflita. Embora desde moço odeie formigas, o observador humano condoeu-se do drama e, com um divino golpe de polegar, sacou a nadadora e pousou.-a cuidadosamente no parapeito. O calor do sol alegrou o inseto, enxaguou-o, fazendo-o percorrer o  reencontrado terreno firme  à procura de alguma companheira, alegrando nas antenas. a vida que voltava e o muito que, do sucedido, poderia ter para contar! Eis que, de trás do pequeno vaso, saltou uma também pequena mas suficiente aranha. Como deixou provado - provando-a - não era, certamente, para cumprimentar a ex-naúfraga.

domingo, 26 de novembro de 2017

A "CENSURA THEATRAL " EM 1892: ABEL BOTELHO E "OS VENCIDOS DA VIDA"

Militar filho de militar, escritor, diplomata, nascido em Tabuaço (1856) e falecido em 1917 na Argentina, onde representava Portugal. Um dos pugnadores pela bandeira que temos. Defensor da verdade, dura que fosse -  mas que lhe permitiu, numa serie de obras motivadas pela preocupação ("Patologia Social" ou "Patologia do Social", tal a designação do conjunto)  de  procurar e expor vários lados negros da sociedade que tínhamos e que, anos volvidos, em muitas coisas vamos tendo. A obra com que abriu essa série foi, para a sua época e, para muita gente, um  verdadeiro murro no estomago. Polémico, gerou polémica. Também no teatro ver-se-ia atacado e até afastado de cena. em pelo menos dois episódios (1884 e 1892). Neste segundo caso a Censura Teatral atuara logo após a primeira representação, fazendo um "não mais"!. Chama-se a peça "Os vencidos da vida" e disse-se que o violento ataque que sofreu (já lá vamos!) teria sido devido a ter satirizado os que usaram esse nome. Curiosamente, porém, a crítica enche toda a primeira página do "Diário do Governo" de 8 de Abril de 1892.  Com demasiadas repetições, raiando o gongórico, a commissão alarga-se bastamente e justifica-se lançando flores envenenadas. Dir-se-ia que, se o alvo fosse aquele, podia dispensar-se o uso e reuso de zagalote. Talvez o objetivo não fosse pois tão magro quanto isso! Vale a pena ler o texto da Commissão (é comprido mas interessante embora monotípico como o discurso de todas as censuras). Pelos laivos acratas que por vezes apontaram ao censurado e pelo seu fontal antagonismo a rodeios, deve ter ficado azedo com a honra das duas colunas que lhe "dedicaram" na folha de rosto do Jornal Oficial. E, sobretudo, veio trazer mais valor (e sede de a ler) a essa peça em 3 atos, censoriamente rejeitada num ato só e que, ainda que tenha visitado obra de Abel Botelho, desconheço essa de todo.  Fico sequioso por isso, onde apareça!Comparo Abel Botelho `4ª sinfonia de Beethoven : excelente também, mas menos conhecida... porque foi logo cair entre a 3ª e a 5 [1]

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MINISTERIO DOS NEGOCIOS DO REINO
Direcção geral de administração politica e civil
3ª Repartição
Por ordem superior se publica a seguinte resolução da commissão de censura theatral:
O decreto de 29 de março de1890, que regula as condições dos espectaculos publicos, prohibe, no seu artigo 1.º, as representações theatraes que, entre outras offensas, contenham caricaturas ou imitações pessoaes, referencias directas a quaesquer  homens publicos ou pessoas particulares, offensas ao pudor ou á moral publica.
O § unico d’este artigo attribue á autoridade administrativa a faculdade de prohibir a continuação do espectaculo ou a repetição d’elle, uma vez que esteja incurso em qualquer dos casos de offensa que o mesmo artigo ennumera.
Tendo subido á scena do teatro do Gymnasio, em a noite de 22 do corrente, a peça em tres actos Os vencidos da vida, do escritor Abel Botelho, a auctoridade administrativa, usando das atribuições que a lei lhe confere, prohibiu que a mesma peça tornasse a ser ali representada, por entender que n’ella se davam as razóes justificativas d’essa prohibição
A empreza do mesmo teatro, porem, aproveitando a faculdade de recurso para a comissão de censura theatral, que lhe é garantida pelo mencionado decreto, usou d’ella, interpondo o recurso que, por ordem do nosso presidente, o ex.mo ministro e secretario d’estado dos negocios do reino, nos foi mandado julgar.
A commissão, tendo-se reunido sob a presidencia do sr. conselheiro José de Azevedo Castello Branco, por quem s. ex.ª o ministro do reino se fez substituir,  procedeu á leitura da peça em questão , no manuscripto apresentado pela empreza recorrente, e concluiu unanimemente:
1.º Que a peça Os vencidos da vida contém caricaturas e imitações pessoaes: referencias directas a homens publicos e a pessoas particulares; ofensas ao poder e á moral publica;
2.ºQue por todas essas razões está legalmente justificada a sua prohibição.
A commissão, em sua consciencia, e no desempenho do seu dever, nada mais tinha a acrescentar a estas conclusões.  Comtudo, desejosa de patentear bem o seu espirito tolerante e apaziguador, e a equidade da sua final deliberação, fará ainda, muito sumariamente, algumas considerações, que julga indispensaveis  para esclarecimento do seu modo de ver.
Assentando no espirito geral da litteratura contemporanea, e designadamente no da litteratura dramática, reconhece-se uma tal confusão nas ideias moraes, uma tal obscuridade na distincção do bem e do mal , que se torna precisa a maior penetração critica para saber reduzir á primitiva simplicidade as noções que uma arte corrompida tornou complexas e falseou.
A acção energica d’essa arte nos costumes publicos, operada no decorrer de um periodo já longo, tornou estes menos sensiveis á compreensão delicada do que deve ser a arte pura, mais propensos a uma larga tolerancia com as aberrações do gosto, medianamente exigentes em pontos de moral.
Ir de encontro, abruptamente, a este estado inconsciente da opinião e da tolerancia social, seria da parte d’esta commissão um exagero de austeridade, que de certo poucos applaudiriam. Era, portanto, dever nosso analysar, longe de toda a preoccupação exclusiva e absoluta. E antes sob o ponto de vista mais indulgente, se a obra dramatica submettida  ao nosso exame seria susceptivel de soffrer córtes, alterações, emendas, suppressões de phrases ou de scenas, substituições, que a transportassem, pelo menos, ao nivel ao nível em que tantas outras são toleradas sem protestos nem clamores.  A commissão teve o desgosto de reconhecer que não podia adoptar este alvitre conciliador.   
Não é só a fórma , não são apenas meros accidentes superficiaes que tornam a peça do auctor Abel Botelho profundamente ofensiva do podor [sic] e da moral publica; essa offensa brota incessante do plano, da contextura, da essência, do desenvolvimento, da sucessão, dos fundamentos de toda ella.
Nenhuma outra razão tinha de invocar a auctoridade, para justificar a medida prohibitiva que adoptou, e, com effeito, nenhuma outra parece ter sido invocada.
Todavia, não são menos graves e ponderosas as outras duas offensas, em que a peça incorre, ambas previstas na lei; a das referencias directas e a das caricaturas e imitações pessoaes, como já se disse.
N’este ponto, cumpre á commissão registar aqui, que não desconhece quão vulgar  é a frequencia de tal abuso em muitos dos nossos teatros, com menoscabo da lei expressa e grande vexame dos cidadãos offendidos na sua dupla individualide [sic] physica e moral.A tolerancia reprehensivel de que notoriamente a auctoridade usa, para com os delinquentes n’este caso, não pesaria no animo d’esta commissão para a levar a ser menos rigorosa no actual momento, se a peça, confiada à sua apreciação, pecasse apenas n’esses dois pontos e fosse immaculada  no daas offensas à moralidade. A protecção da lei e a energia e solicitude dos seus agentes, não podem abandonar, indefezos, ao desprestigio, ao descredito, que d’estas exhibações lhes resulta, os sindividuos por elas attingidos , quer sejam os mais humildes cidadãos, quer os mais altos magistrados.
Sob este ponto de vista, a peça de que nos occupâmos éaltamente condamnável, porque, visando individuos certos, que os espectadores facilmente reconhecem, faz mais ainda do que caricaturá-los numa deformação da sua personalidade publica, desfigura-lhes os caracteres no lado privado e intimo, tornando os agentes dramaticos no enredo phantasiado, e pesonagens carregados de torpezas a determinarem pelas suas acções a expansão immoral do drama. Assim,  a ignominia em que o auctor se arrasta e apresenta,não só os enxovalha á face dos seus concidadãos, como ainda os fere na sua dignidade de chefes e membros de familia, atacando o recato da vida doméstica e a inviolabilidade do lar de cada um.
A commissão absteve-se cautelosamente de exercer na peça Os vencidos da vida a minima censura de caracter puramente litterario, por não estar ella nem no espirito nem na letra da lei, saíndo portanto do circulo da sua competencia e attribuições. Reconheceu, porém, e isso ainda mais a tranquillisa, que a impossibilidade por ella encontrada em reerguer no tablado scenico a obra derrubada por motivos de policia, não aniquila uma expressão levantada da arte, nem um monumento de gosto.
A lei previdente que instituiu esta commissão de censura, consagrou a seu preito á liberdade das diversas manifestações do pensamento, tendo em mira apenas cohibir o seu abuso. Reconheceu a todos os cidadãos o direito de critica dos costumes, das idéas, das doutrinas, dos sentimentos, por meio das representações theatraes, dentro dos limites em que esse direito é lícito por meio das outras fórmas, sob que, publicamente , póde ser manifestado. Sómente cuidou em restrigil-ona fórma abusivada especulação com a maledicencia, com o escandalo, e com as más paixões do publico.
Não teve esta commissão que desviar-se um apice da doutrina estabelecida por essa lei, nem que hesitou um momento na estricta comprehensão d’ella. Encontrou-se, francamente, não diante de uma obra de critica, mas de uma obra de diffamação. E, mais ainda, sentiu a sua tarefa aligeirada pelo apoio antecipado que lhe deu tanto a reprovação quasi geral do publico intelligente, que assistiu á recita única da peça censurada, como a reprovaçao unanime que enm toda a imprensa da capita, no dia immediato ella teve.
Aquela especulação que a lei previne, não teve tempo de estabelecer-se, nem de affirmar-se.
Começaria agora se, por qualquer tibieza ou por nimia e indisculpavel indulgencia, esta commissão pronunciasse um veredictum contrario ás do presente parecer. As más paixões não chegaram a despertar, o escandalo foi adormecido a tempo, e o primeiro impulso, honesto e nobre, da consciencia publica , repercutido no protesto unisono da imprensa, norteou de certo no caminho da justiça , a boa vontade, o exame desapaixonado e conscencioso, o desejo de acertar, d’esta commissão.
Encerrando aqui a serie de considerações, que tinha a fazer para fundamentar a sua deliberação, a commissão de censura theatral, entende, por fim, que sendo indispensavel deixar comprovadas n’um documento authentico sas razões que levaram a elaborar o seu parecer, para que em nenhum tempo possa ser posta em duvida a justiça das suas conclusões, fique archivado na secretaria do ministerio do reino, junto ao respectivo processo, o manuscripto da peça subettido ao seu exame.
Lisboa, em 5 de abril de 1892. = José de Azevedo Castello Branco  = Luiz Augusto Palmeirim = Zacharias de Aça  = Alberto Pimentel = J. Fernandes Costa, relator.
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1.Aprendi em Arouca algo mais sobre Abel Botelho. No "Mulheres da Beira" uma das narrativas que até deu filme  termina tragicamente com a heroína a lançar-se na cascata que se precipita e que se designa por Misarela ou Mizarela,. Já via as duas versões,  embora acredite ser outra a original, e que num "formato" bem mais expressivo será mesmo "Mijarela.
2.Ora quanto a grafia, tive o cuidado que preservar a de 1892. Com duas vantagens: 1ª Aprender como se "despede" o corretor automático em Word; 2º Poder escrever fazendo pirraça a alguns que por aí andam: "o transcritor usa grafia anterior ao Acordo Ortográfico, mas... antes dessa!".

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

«SELFIE» DE OCULOS ESCUROS & GATO

«Password» de nome

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

DO REI LEAR DISFARÇADO.

Numa das "Alices", e se me não engano narrado pela lagarta, aparece o poena "Father William" que abaixo se transcreve:

"You are old, Father William," the young man said,
"And your hair has become very white;
And yet you incessantly stand on your head—
Do you think, at your age, it is right?"

"In my youth," Father William replied to his son,
"I feared it might injure the brain;
But now that I'm perfectly sure I have none,
Why, I do it again and again."

"You are old," said the youth, "As I mentioned before,
And have grown most uncommonly fat;
Yet you turned a back-somersault in at the door—
Pray, what is the reason of that?"

"In my youth," said the sage, as he shook his grey locks,
"I kept all my limbs very supple
By the use of this ointment—one shilling a box—
Allow me to sell you a couple?"

"You are old," said the youth, "And your jaws are too weak
For anything tougher than suet;
Yet you finished the goose, with the bones and the beak—
Pray, how did you manage to do it?"

"In my youth," said his father, "I took to the law,
And argued each case with my wife;
And the muscular strength which it gave to my jaw,
Has lasted the rest of my life."

"You are old," said the youth, "one would hardly suppose
That your eye was as steady as ever;
Yet you balanced an eel on the end of your nose—
What made you so awfully clever?"

"I have answered three questions, and that is enough,"
Said his father; "don't give yourself airs!
Do you think I can listen all day to such stuff?
Be off, or I'll kick you down stairs!"

 Este poema é, no fundo, uma versão parodiada  [e não só esta]  trazida por Lewis Carroll à sua narrativa e  que, vulgarizado para uso infantil, serviu também para outras paródias em língua inglesa como a satirização do Imperador da Alemanha Guilherme II através de uma versão epigrafada "You are old, Kaiser Willherm", etc. etc. Foi também musicado e cantado por gente miúda  e adulta e devidamente reproduzido no cinema e em representações teatrais, quando de Alice se tratava.
Na tradução portuguesa das Alice tem sempre sido referido a um "Tio Guilherme".

Mas a origem do poema está num outro autor inglês, o poeta romântico Robert Southey (1774-1843) que o escreveu em 1799 sob o título "The Old Man Comforts and How he Gained Them":

You are old, Father William the young man cried,
     The few locks which are left you are grey;
You are hale, Father William, a hearty old man,
     Now tell me the reason, I pray.
In the days of my youth, Father William replied,
     I remember’d that youth would fly fast,
And abused not my health and my vigour at first,
     That I never might need them at last.
You are old, Father William, the young man cried,
     And pleasures with youth pass away;
And yet you lament not the days that are gone,
     Now tell me the reason, I pray.
In the days of my youth, Father William replied,
     I remember’d that youth could not last;
I thought of the future, whatever I did,
     That I never might grieve for the past.
You are old, Father William, the young man cried,
     And life must be hastening away;
You are cheerful, and love to converse upon death,
     Now tell me the reason, I pray.
I am cheerful, young man, Father William replied,
     Let the cause thy attention engage;
In the days of my youth I remember’d my God!
      And He hath not forgotten my age.


A finalidade moralista do poema de Southey, muito ao gosto da época, é por demais evidente: atenuar as agruras da velhice com os frutos positivos da idade e a forma de os conseguir através de uma cauta condução de vida (digamos assim, com certas reservas), autoconvencidamente exposta Escondia-se assim,  sob um pudor moralista, todas as questões negativas que naturalmente acompanham a idade e marcam, em diversos planos,  o envelhecimento. Numa visão realista, estou nisso mais com Carroll, o divulgador satírico, que com Southey, o moralista - embora os entenda, nos seus tempos e objetivos. Mas já lá vamos...

Do liceal que fui e não deixei de ser  ficou-me marcada  na memória uma frase-desabafo colhida numa das primeiras aulas de Filosofia: "para compreender o Homem é  imprescindível, como mínimo essencial, conhecer a obra de três autores: Shakespeare,  Dostoievski e Nietzsche." . Ora  é no primeiro destes autores que  se encontra uma análise realista e crua do processo do envelhecimento que de facto todos deveriam ler e compreender: o "Rei Lear"
.
Mas não será por acaso que,  numa peça de um famoso autor russo, Anton Tchekov, se volta a encontrar o mesmo conjunto de questões  que Shelley escamoteou no seu intuito moralizador, que Carroll parodiou colocando-as na boca de uma lagarta "ad usum delphini" e que Shakespeare denunciou de forma realista no "Rei Lear". William  é em Português Guilherme, e   Guilherme é em Russo  Vânia, como tio é Diádia. Tchekov,  ao substituir o "Father" pelo  "Tio" obtem o título, em russo tão  eufónico, de  "Diádia Vânia" para uma das suas mais marcantes peças: "O Tio Vânia". Procure-se nesta, e sobretudo na sua cena final, uma mesma expressão da velhice.