Que fazer quando às três da manhã alguns paragrafos finais de um longo texto se portam mal, exibem um pequeno quadradinho negro à esquerda
Ou, "what to do when some final paragraphs in a long text in MS Word 2003 begin to misbehave, show a small tiny black square at left and walk down along the page "
Anteontem, ou seja ontem de madrugada, porque os dias começam às sete da manhã e , se for preciso, acabam em véspera uma hora antes, ia desabando o mundo. 2012, numa versão de fluxómetro cósmico, não seria pior, ou "merdex sed lex" a escassíssimas duas eufrásias para acabar um longo, longuíssimo, safadíssimo e estéril texto em Word 2003.
A frase pira-se. Desobedece escandalosamente às instruções que lhe eram dadas, ao espaço-e-meio entre linhas de um parágrafo e ao 6 pto do "Antes e depois" do "Avanços e espaçamentos" do quadro de formatação de parágrafo do mesmo programa. Vai passear a meia altura pela página. "Houston, we have a problem!"
A sacaninha exibe, do seu lado esquerdo, um quadradinho negro, pequenino, que se tivesse mãe esta estaria a corar de vergonha pelos recebidos considerandos.
A tabela final de duas páginas adiante também se desmorona, ou seja, abre-se em casas abertas por baixo, linha a linha, como se alguém as cortasse à faca para entremear marmelada.
Procura-se na "Ajuda" o significado de tal terramoto, mas esta "Ajuda" deve ser o simpático bairro de Lisboa e ainda pergunta, depois de dizer rien de rien se ainda foi de utilidade.
Uma volta pela "net" deparou com dois estilos de cidadãos: os que tiveram o mesmo problema, encontraram o mesmo quadradinho e os mesmos parágrafos voadores e que se foram lamentar em chats ou foruns, sem aparentemente se saber como sairam do sarilho e os "portais" que pediam para mencionar o problema e se preparavam para res ponder mas antes avisavam que informar o e-mail de resposta correspondia a uma aceitação tácita das condições de serviço, o que deixava supor que haveria que pagar por isso (a "net" está a tornar-se uma sôfrega pedinchice, lá isso é verdade que andamos todos ao mesmo).
Nesta altura de noite alta lembrei-me do Caio Septimus, mercador de ânforas em Salacia, que - em situações idênticas - se virava para a sua consorte Domitilia e sabiamente dizia "Pissu, pissu - lectu, lectu" o que, mal formulado ou mal traduzido, significa apenas "Xixi, cama". E fui para a (breve) soneca.
Logo de manhã, ou seja "pouco depois" daquele fiz o que deveria ter feito. Fui a um período não afectado e procurei ver o que tinha de original, que os outros tinham de diferente. E, voltando ao "Formatar" e deste a "Parágrafo" e deste a "Quebras de página e de linha" o período BOM só tinha, em "Paginação", marcada a opção "Controle de linhas isoladas", enquanto que os periodos DOENTES tinham marcada pelo menos uma das restantes opções (Manter linhas juntas, Manter com o seguinte e Quebra de página antes). Não fiz mais nada: marquei a tal opção e apaguei todas as outras. O quadrado preto desapareceu e... o assunto ficou resolvido ao nível do próprio parágrafo.
Havia porém que reconduzir os parágrafos saltitantes ao espaçamento imposto à página, fazendo-os obedecer a isso. E aí esta preclara mente iluminou-se com uma analogia: quando temos formatação de texto e há uma linha não acabada, por vezes o texto dilata-se, atirando uma palavra lá para o fim e deixando no meio um despudorado espaço! Será que não teremos aqui uma questão de formatação vertical do texto numa página não fechada? Então há que procurar noutro sítio e esse sítio chama-se "Configurar Página" que aparece logo no índice "Ficheiro" da régua. Vamos a isso! Clicado em "Ficheiro" --> abre --> "Configurar página" --> abre --> Escolher "Esquema! --> abre --> Procurar em Página / Alinhamento Vertical (que oferece 4 alternativas: Superior, Cerntrado, Formatado e Inferior). E á estava "Formatado", como se esperava. Corrigindo para "Superior" os parágrafos vagabundos voltaram ordeiramente ao seu sítio. E o mesmo na tabela que, páginas adiante, estava aberta que nem concertina.
Como apareceram estas situações para mim inéditas? Não sei. Sei que apareceram, que se não resolviam com o fechar e reabrir ficheiro nem com o fechar e reabrir o computador e que, afinal, se renderam a estas soluções de cácárácá.
Conto esta não para me gabar nem para narrar episódios da vida quotidiana - coisa em que me junto aos muitos que censuram os que, nos blogues, encontram alternativas aos confessionários, às confissões públicas, aos psicólogo ou aos simples diários - para que toda a gente no Mundo, desde o Monte Erebus a Thule possa diáriamente saber como vai evoluindo a unha encravada do 2º dedo do pé direito (penso não haver "indicadores" nos pés) mas porque constatei, no meu desafortunado e aflito périplo, que há muita gente incomodada por quadradinhos negros à esquerda de parágrafos e por parágrafos vagabundos em MS Word 2003. Ignorância elementar minha, com certeza. Mas aqui fica a solução encontrada. E não levo nada por isso.
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